Não me peçam razões
Não me peçam razões, que não as tenho,
Ou darei quantas queiram: bem sabemos
Que razões são palavras, nascem todas
Da mansa hipocrisia que aprendemos.
Não me peçam razões por que se entenda
A força de maré que me enche o peito,
Este estar mal no mundo e nesta lei:
Não fiz a lei e o mundo não aceito.
Não me peçam razões, ou que as desculpe,
Deste modo de amar e destruir:
Quando a noite é de mais é que amanhece
A cor de primavera que há-de vir.
(José Saramago)
Luis Cília - "Não me peçam razões"
Vencedores de meio Século XX: Ferreira de Castro e Vitorino Nemésio em voo
de pássaro (5)
-
Mas Nemésio abandona os jornais e segue a vida académica, inclusive no
estrangeiro, o que os afasta; também a concepção de literatura de ambos
diverge – ...
4 days ago

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