Saturday, June 09, 2012

Portuguese pavements. Eduardo Nery: Pavimento na Praça do Redondo, 1968/1971


Pavimento na Praça do Redondo, 1968/1971

No pavimento em calçada-mosaico, que projectei para a Praça da República no Redondo (Alto Alentejo), pretendi resolver os seguintes problemas, em estreita colaboração com o Arqº Formozinho Sanches, autor do novo Tribunal e projectista dos espaços exteriores desta praça:
- Criar uma malha de preto e branco, que exprimisse a direcção do percurso dos automóveis, que a contornam em dois dos seus lados;
- Tornar o desenho do pavimento assimétrico, reforçando assim a composição do arquitecto, que projectou uma zona de convívio organizada em torno de uma fonte e de algumas árvores, localizada num dos cantos desta praça;
- Criar uma malha de grandes linhas rectas ortogonais, que prolongaram para o pavimento as dimensões do espaço-fonte, e ainda o próprio edifício da Câmara Municipal e do pórtico da sua fachada principal. Assim, esta malha de escala muito larga teve em linha de conta as proporções dos elementos estruturantes deste espaço urbano, tratado por mim como um todo unitário;
- Ligar pontualmente a escultura de Jorge Vieira, junto ao novo Tribunal, com uma agulha em pedra na referida fonte, através da marcação de um forte quadrado no pavimento, reforçando assim o eixo visual, que liga entre si aqueles dois elementos verticais;
- Por outro lado, existindo nesta praça um edifício do século XVIII (a Câmara Municipal), com bastante carácter, e em contacto directo com o pavimento em mosaico, propus-me ainda acrescentar ao meu desenho de grandes losangos (usados dominantemente nesta praça), uma segunda malha de quadrados, mais estática e com elementos mais pequenos, por tal forma, que ambos os padrões pudessem exprimir e enquadrar tanto a arquitectura simétrica da Câmara, mais estática, com a arquitectura mais movimentada do novo Tribunal. 

Eduardo Nery












 [O autor deste blogue agradece a Eduardo Nery a autorização para publicar estes seus documentos (texto e fotos)]
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Ver:
Portuguese pavements: Eduardo Nery, Praça da República, Redondo, Portugal

Sunday, June 03, 2012

Portuguese pavements. Eduardo Nery: Pavimentos na Fábrica de Cerveja da ex-Sociedade Central de Cervejas (hoje Centralcer, SA), em Vialonga, 1967/1968


Pavimentos na Fábrica de Cerveja da ex-Sociedade Central de Cervejas (hoje Centralcer, SA), em Vialonga, 1967/68

Em todos os pavimentos que projectei para a nova fábrica de cerveja da ex-S.C.C. procurei renovar a tradição dos pavimentos portugueses, servindo-me sempre de desenhos ritmados, dinâmicos e expressivos do percurso.
Nos vários pavimentos que projectei para esta fábrica interessaram-me de maneira especial aqueles que concebi para o circuito independente de visitas à fábrica.
Neles coloquei a mim próprio o objectivo de exprimir simultaneamente o movimento acelerado dos visitantes nas zonas de menor interesse no percurso, e em oposição a paragem das pessoas nos locais onde os motivos oferecidos à sua curiosidade a justificassem. A partir desses dados realizei com “mosaicos hidraúlicos”, quadrados e em preto e branco, desenhos de padrões geométricos, que vão mudando ao longo do percurso dos visitantes, uns mais dinâmicos e outros mais estáticos. Nesses desenhos, entendidos como um espaço em devir, a mudança de padrão faz-se quase insensivelmente, para o que contribui o facto de manter sempre a mesma percentagem de preto e branco ao longo de todo o percurso, o que é importante para não cansar e perturbar a visão dos visitantes.
Nos outros pavimentos executados noutros materiais (mármore ou calçada) mantive sempre como constante as diagonais a 45º, para dar unidade a todo este vasto conjunto. A única excepção é a calçada na saída do circuito de visitantes, visto este pavimento se encontrar saparado dos outros padrões.
No átrio no 1º piso consegui uma grande variedade de ritmos e de direcções, visto tratar-se de um átrio de distribuição. Para tal, desenhei um único módulo de variação, um paralelograma, colocado no chão alternadamente em preto e branco. Em baixo, no átrio de entrada no piso térreo, o desenho em calçada foi inspirado em ilusões de óptica e tem uma dinâmica visual quase tão intensa como o anterior. 

Eduardo Nery

































[O autor deste blogue agradece a Eduardo Nery a autorização para publicar estes seus documentos (texto e fotos)]