Tuesday, May 29, 2012

História de um azulejo de Eduardo Nery (6)

Contumil (2)

118
PROJECTO PARA COMPOSIÇÃO DE PADRÃO
1992-1993
Aguarela s/ papel
29,6 x 42 cm
Não assinado, não datado
Colecção do autor.
119
PROJECTO PARA COMPOSIÇÃO DE PADRÃO
1992-1993
Aguarela s/ papel
28,3 x 41,9 cm
Não assinado, não datado
Colecção do autor.
120
PROJECTO PARA COMPOSIÇÃO DE PADRÃO
1992-1993
Aguarela s/ papel
26,9 x 42,1 cm
Assinado não datado Eduardo Nery.
Inscrição: Desenho 65. Painel nº 6o (20°)
Colecção do autor.
121
PROJECTO PARA COMPOSIÇÃO DE PADRÃO
1992-1993
Aguarela s/ papel
29,6 x 42 cm
Assinado não datado Eduardo Nery.
Inscrição: Desenho 61. Painel nº 56 (16°)
Colecção do autor.
122
PROJECTO PARA COMPOSIÇÃO DE PADRÃO
1992-1993
Aguarela s/ papel
29,6 x 42 cm
Assinado não datado Eduardo Nery.
Inscrição: Desenho 66. Painel n" 61 (21°)
Coleccão do autor.
123
PROJECTO PARA COMPOSIÇÃO DE PADRÃO
1992-1993
Aguarela s/ papel
29,7 x 42 cm
Assinado não datado Eduardo Nery.
Inscrição: Desenho 70. Painel 65 (25°)
Coleccão do autor.
124
PROJECTO PARA COMPOSIÇÃO DE PADRÃO
1992-1993
Aguarela s/ papel
29,6 x 41,9 cm
Não assinado, não datado
Coleccão do autor.
 125
ESTUDO PARA COMPOSIÇÃO DE PADRÃO
1992-1993
Aguarela s/ papel 39,6 x 41,9 cm
Não assinado, não datado
Coleccão do autor.
-
(Imagens e textos copiados por mim de)
[Autor(es): Paulo Henriques, Rocha de Sousa, Sérgio Vieira]
-
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Eduardo Nery (Official Website)

Friday, May 25, 2012

História de um azulejo de Eduardo Nery (5)

CONTUMIL (1)



[1992/1994]
Estação de Contumil, Refer, Porto. 
 Composições de padrão para as plataformas e composições figurativas no átrio e no lanternim.

PROJECTO: 1992 e 1993
EXECUÇÃO: Entre 1993 e 1994
AZULEJOS PRODUZIDOS: Cerâmica Constância, Lisboa
ASSENTAMENTO DOS AZULEJOS: Azulima, Lda., Porto
PROJECTO AROUITECTÓNICO: Luís Vassalo Rosa, Projectoplano, Lisboa
ENCOMENDA: Ferdouro, SÁ, Porto
LOCALIZAÇÃO: Contumil, Porto


Tratamento plástico da estação de comboios, composto por 65 painéis com padrões e organizações cromáticas diferentes, construídos a partir de um mesmo módulo, aplicados nas três plataformas de embarque dos passageiros; e por painéis figurativos com secções de locomotivas aplicados no átrio de entrada do edifício central e no lantemim da estação de passageiros. O módulo de padrão criado em 1966 é reutilizado nesta obra com outras cores e contrastes entre figura e fundo, alteração que garante a unidade das superfícies pela continuidade gráfica do motivo e permite criar composições de planos com diferentes intensidades luminosas, geralmente organizados em barras verticais. As composições figurativas utilizam imagens coloridas de locomotivas do século XIX, desmontadas em faixas verticais e remontadas segundo lógicas de impossibilidade real, absurdo e ironia.

115
PROJECTO PARA COMPOSIÇÃO FIGURATIVA
1993
Colagem e aguarela s/ papel
29,7 x 73,8 cm
Assinado e datado Eduardo Nery 93
Inscrição: Novas Instalações da C.P. em Contumil / Edifício Central, Piso 1 /
Painel de Azulejos "C" / Escala 1/20
Colecção do autor.
116
PROJECTO PARA COMPOSIÇÃO FIGURATIVA
1993
Colagem, aguarela s/ papel
29,7 x 100 cm
Assinado e datado Eduardo Nery 93
Inscrição: Novas Instalações da C.P. em Contumil / Edifício Central, Piso 1 /
Painel de Azulejos "D"/ Escala 1/20
Colecção do autor.

117
PAINEL DE AZULEJOS, VARIAÇÃO SOBRE O PADRÃO ORIGINAL
1992-1993
Faiança com decoração em estampilha sobre barro branco.
28,5 x 113 cm
Não assinado, não datado
Colecção do autor.
-
(Imagens e textos copiados por mim de)
[Autor(es): Paulo Henriques, Rocha de Sousa, Sérgio Vieira]
-
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Eduardo Nery (Official Website)

Monday, May 21, 2012

História de um azulejo de Eduardo Nery (4)

[1981]
Pátio do Centro de Saúde de Mértola.
Volumes geométricos revestidos com azulejo de padrão

PROJECTO E EXECUÇÃO: 1981
Estruturas de alvenaria com revestimento de azulejo. Azulejos em faiança com decoração em estampílha sobre barro branco.
ÁREA DO PÁTIO: 21,30 x 6,44m
3 paralelepípedos: 224 x 56 x 56 cm
1 paralelepípedo : 56 x 112 x 140 cm
1 paralelepípedo com um cubo: 98 x 112 x 140 cm
2 cubos: 56 x 56 x 56 cm i cubo: 112 x 112 x 112 cm
PRODUÇÃO DOS AZULEJOS: Fábrica de Cerâmica Viúva Lamego, Lisboa
CONSTRUÇÃO DOS VOLUMES E ASSENTAMENTO DOS AZULEJOS: Pande, Lda.
PROJECTO ARQUITECTÓNICO: MC Arquitectos, L.da.
ENCOMENDA: Ministério da Saúde
LOCALIZAÇÃO: Centro de Saúde de Mértola

56
MAOUETA PÁTIO DO CENTRO DE SAÚDE DE MÉRTOLA, 1981
Execução de Helena Leiria
Tinta da China e lápis de cor sobre papel recortado e colado, montado
em placa de madeira premada.
13,5 x 37 x 108 cm
Assinado Eduardo Nery
MNAz Inv. n.º P-4

57
PAINEL DE AZULEJOS DE PADRÃO
c. 1981
Faiança com decoração em estampilha sobre barro branco.
99 x 65 cm
Não assinado, não datado
Colecção do autor.

58
PAINEL DE AZULEJOS DE PADRÃO
c. 1981
Faiança com decoração em estampilha sobre barro branco.
56,5 x 56,5 cm
Não assinado, não datado
Colecção do autor.
-
(Imagens e textos copiados por mim de)
[Autor(es): Paulo Henriques, Rocha de Sousa, Sérgio Vieira]
-
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Eduardo Nery (Official Website)

Sunday, May 20, 2012

História de um azulejo de Eduardo Nery (3)



[1971] 
Agência do Banco Nacional Ultramarino, Torres Vedras.
Revestimentos decorativos em azulejo de padrão

PROJECTO: 1971
EXECUÇÃO: 1972
SUPERFÍCIE DAS PAREDES: c. 325 m2
EXECUÇÃO DOS AZULEJOS: Fábrica Cerâmica Viúva Lamego, Lisboa.
PROJECTO ARQUITECTÓNICO: MC Arquitectos, L.da., Lisboa
ENCOMENDA: Banco Nacional Ultramarino
LOCALIZAÇÃO
: Actual delegação da Caixa Geral de Depósitos, Torres Vedras.
O módulo criado em 1966 tem neste projecto a sua primeira aplicação em grandes superfícies tratadas com diferentes padrões de escalas diferentes e em articulações contínuas de diferentes motivos, apontando direcçôes de percursos ou marcando zonas funcionais no espaço arquitectónico.

43
ESTUDO PARA PADRÃO EM AZULEJO
c. 1971
Guache s/ cartão
37,3 * 37,5 cm
Não assinado, não datado
Colecção do autor.
44
PAINEL DE AZULEJOS DE PADRÃO
c. 1971
Faiança com decoração em estampilha sobre barro branco.
42 x 70 cm
Não assinado, não datado
Colecção do autor.
45
PAINEL DE AZULEJOS DE PADRÃO
c. 1971 '
Faiança com decoração em estampilha sobre barro branco.
56 x 85 cm
Não assinado, não datado
Colecção do autor.
46
PAINEL DE AZULEJOS DE PADRÃO
c. 1971
Faiança com decoração em estampilha sobre barro branco.
70 x 210 cm
Não assinado, não datado.
MNAz Inv. n." 229 e 229 a.
 
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(Imagens e textos copiados por mim de)
[Autor(es): Paulo Henriques, Rocha de Sousa, Sérgio Vieira]
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Eduardo Nery (Official Website)

Friday, May 18, 2012

História de um azulejo de Eduardo Nery (2)

[1966]
Módulo de padrão para azulejo de produção industrial.
Concurso promovido pela Fábrica Estaco, Estatuária Artística de Coimbra, em 1966.
O conceito que serviu de base ao concurso foi o de um módulo de um único azulejo cujo desenho permitisse o máximo de combinações entre si e, deste modo, a criação de numerosos padrões decorativos.
Eduardo Nery concebeu um motivo assente nas linhas diagonais rectas do quadrado, uma barra central que dividia o espaço do azulejo em dois campos, um ocupado por barras paralelas e outro por meia barra diagonal perpendicular à primeira.
As relações métricas entre estes elementos rectos foram ponderadas permitindo sempre continuidades no desenho e na cor, seja por continuidade seja por alternância entre azuis e amarelo.

 19
PROJECTO DE AZULEJO PARA MÓDULO DE PADRÃO 
c.1966
Guaches / cartão
50 x 50 cm
Não assinado, não datado.
Colecção do autor.






  
20-28
PROJECTOS PARA PADRÃO
c. 1966
Guaches s/ cartão
50 x 50 cm
Não assinados, não datados.
Colecção do autor. 

29
COMBINAÇÕES MÚLTIPLAS
48 cubos para combinações variáveis
c. 1966
Madeira pintada em tinta de esmalte.
10 x 10 x 10 cm (cada cubo)
Não assinado, não datado.
Coleccão do autor.
A lógica combinatória do módulo de padrão aplicada ao azulejo ganha outro dinamismo quando da bidimensionalidade do quadrado se passa à tridimensão do cubo. O módulo inventado revela nesta situação a sua máxima riqueza combinatória, convidando o espectador a ensaiar as suas combinações próprias numa actividade lúdica não distante dos cubos infantis, tornando-se cada espectador no criador da obra.
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(Imagens e textos copiados por mim de)
[Autor(es): Paulo Henriques, Rocha de Sousa, Sérgio Vieira]
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Eduardo Nery (Official Website)

Wednesday, May 16, 2012

História de um azulejo de Eduardo Nery (1)


A primeira incursão de Eduardo Nery na área do Azulejo dá-se num contexto emergente do Design para a indústria cerâmica em Portugal, o "concurso ESTACO destinado a premiar os melhores desenhos de azulejo decorativo"(4), promovido em 1966 pela fábrica de cerâmica ESTACO, Estatuária Artística de Coimbra, em colaboração com a revista Arquitectura e o Sindicato Nacional dos Arquitectos.
O regulamento do concurso explicitava no seu ponto 2 que "Os desenhos destinam-se à reprodução em azulejos planos na dimensão de 15 x 15 cm; o conjunto, constituído por elementos de repetição, deverá ter características especialmente decorativas para a utilização em revestimentos de interiores e exteriores" lembrando ainda que "Deverão ser tomadas em consideração a facilidade e economia de execução industrial do desenho proposto"(5).
O enunciado do regulamento do concurso tem subjacente a concepção do Design tal como se definiu no pós-guerra, nas décadas de 1950 e 1960, o projecto concebido em articulação com os meios produtivos da indústria moderna, preocupação de grande pertinência num período em que se tentava modernizar a produção industrial portuguesa.
No folheto de apresentação dos resultados do concurso fazia-se a apologia do azulejo como "revestimento mais estável e económico" que se "mantém inalterável através do tempo", não permitindo "o aparecimento de bolores", com aplicação facilitada pelas "medidas sempre iguais, uma só chapa" capaz de compor "revestimentos alegres com o seu poder de refracção [sic] da luz" e que "não riscam ou absorvem a água quando lavados", sendo a sua qualidade garantida por ser "um material aprovado e controlado pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil".
O prêmio deste concurso foi ganho pelo arquitecto Homero Gonçalves (n.1933), motivo assente em arcos de circunferência simétricos e contracurvados, e com uma única cor sobre outra de fundo, unidade capaz de grande variedade de combinações, logo de múltiplas superfícies de padrão e fácil produção.


O mesmo conceito, o de módulo de repetição de um único azulejo, capaz de criar inúmeros padrões simples ou articulados em sucessão, foi aplicado por Eduardo Nery num motivo assente nas linhas diagonais rectas do quadrado cat. 19, uma barra central que dividia o espaço do azulejo em dois campos, um ocupado por barras paralelas e outro por meia barra diagonal perpendicular à primeira. As relações métricas entre estes elementos garantem as ligações através do desenho e da cor, seja por continuidade seja por alternância entre azuis e amarelos.
O artista propiciava deste modo um elemento plástico capaz de ser gerido pelo utilizador a quem caberia criar os padrões, consoante necessidades e gostos individuais, com diferentes escalas e dinamismos visuais, simples ou compostos entre si.
A função do criador era fornecer ao público um elemento passível de infinitas combinatórias que, permitindo a qualquer cidadão inventar o seu próprio revestimento de azulejo, partilhava com ele a capacidade de intervenção estética no quotidiano.
O princípio da obra aberta explicitado por Umberto Eco, não só como infinita variedade de leituras mas sobretudo de infinitas apropriações materiais do objecto artístico pelo indivíduo, é aplicável a este projecto de padrão que foi transposto para Combinações múltiplas cat. 29, conjunto de 48 cubos de madeira cujas faces repetiam o mesmo desenho e que, recuperando uma atitude de jogo infantil, convida o espectador a descobrir as suas próprias combinações.
A utopia do utilizador criador, ou seja, cada um tem uma potencial capacidade estética que deve exercer de modo interveniente no quotidiano, parece não ter radicado nos imediatos hábitos de consumo, e coube a Eduardo Nery a aplicação deste módulo em projectos de espaços públicos, provando-se, isso sim, a sua enorme riqueza plástica.
Em 1971, cinco anos após a sua criação, o módulo foi produzido pela Fábrica Cerâmica Viúva Lamego para ser aplicado na agência do então Banco Nacional Ultramarino de Torres Vedras, em revestimentos integrais de paredes com padrões singelos ou compostos por diferentes temas, construindo ambientes visuais que, mesmo com grande variedade de escalas e configurações, tinham sempre garantida a unidade plástica pelo uso das mesmas cores e motivos geométricos cat. 43-46.
Esta obra ilustra de modo singular a criação do Design enquanto disciplina projectual que deseja unir qualidade estética com inteligência na produção industrial e, ao mesmo tempo, responder a necessidades funcionais da existência quotidiana.
Com efeito, para além da facilidade de produção deste azulejo e da sua potencial riqueza visual quando repetido, Eduardo Nery inscreveu nas suas composições preocupações de orientação nos espaços funcionais desta agência bancária, os ritmos acentuando direcções nos percursos dentro do edifício, a identificação dos lugares pela mudança de cor entre os espaços públicos e os das garagens, percorridos por uma vibração sensível no ambiente, discreta mas suficientemente presente para suscitar o devaneio lento do olhar.
Dez anos mais tarde, em 1981, Eduardo Nery propôs outra aplicação deste azulejo, agora com os amarelos predominando sobre os azuis e revestindo volumes geométricos no pátio interior do Centro de Saúde de Mértola, objectos que mobilam o espaço, diferentes paralelepípedos como assentos e apoios, e pilares quadrados com o mesmo padrão em espinha que, por repetição, configuram um inesperado-distanciamento cenográfico cat. 56-58.
De algum modo, a proposta feita em 1966 de 48 cubos para Combinações múltiplas, objecto a ser reinventado ludicamente pelo espectador, é ampliado da escala da mão para a do corpo e, desmultiplicado, transforma-se em referência poética de um lugar de pausa que, mais do que equipamento estrito de descanso físico, parece constituir concretização de algumas das efabulações espaciais que o autor projectou na sua pintura.
Para as plataformas de embarque da estação de comboios de Contumil, projectadas entre 1992 e 1994, Eduardo Nery retomou este módulo de repetição, com três variações cromá-ticas - amarelos contra azul de cobre com barras e triângulos a azul cobalto / amarelos contra branco com barras e triângulos a azul cobalto / amarelos contra branco com barras e triângulos a azul de cobre - e compôs planos estruturados em faixas verticais distribuídas simetricamente, individualizando-as com diferentes padrões, cores e intensidades luminosas. As paredes dos cais de embarque, construídas entre pilares no eixo da plataforma, autonomizam-se como campos seriados de pintura com organização repetitiva cat. 117-125.
Servidos por um mesmo módulo de repetição mas capazes de se adequar a diferentes espaços e funções e de criar experiências estéticas diversificadas, estes projectos revelam uma laboriosa imaginação decorativa, qualidade evidente também nas composições desenhadas para as salas de audiência do Tribunal de Setúbal, entre 1993 e 1994.
(...)

(4) HENRIOUES, Paulo - Módulo, padrão e jogo. Azulejos de repetição na segunda metade do século XX. Oceanos. Lisboa: C.N.C.D.P., n° 36/37 (Out. 1998/Mar. 1999).
(5) idem

(Excerto de) A variedade da repetição em
[Autor(es): Paulo Henriques, Rocha de Sousa, Sérgio Vieira]
(Imagens e texto copiados por mim) 
-
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Eduardo Nery (Official Website)

Monday, May 14, 2012

Wallpaper groups. Portuguese tiles: Eduardo Nery - p2mg

Small circles mean rotations of order 2. Mirrors are represented by red lines and and glides by green ones. Yellow lines are the border of a fundamental region.
-
Portuguese tiles: Eduardo Nery, Azulejo (2)
combinação de azulejos do grupo
-
Versão da minha exclusiva responsabilidade, feita para este blogue, de azulejos de Eduardo Nery, com um eixo de reflexão numa diagonal. As cores e as combinações de cada azulejo também são da minha exclusiva responsabilidade.
 -
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Eduardo Nery (Official Website)

Saturday, May 12, 2012

Colour symmetry. Portuguese pavements: Adro da Igreja do Senhor Bom Jesus de Matosinhos (Igreja Matriz) - p2gg - «p2mg»



Small circles mean rotations of order 2. Mirrors are represented by red lines, glide reflections by green lines. Yellow lines are the border of a fundamental region. (12) means that the colours white and grey are interchanged; i means the identity.

This is an example of the case stated in the fourth row of the table in Section 4.5 (Figure 13, «p2mg») in

See:
Wallpaper groups. Portuguese pavements: Adro da Igreja do Senhor Bom Jesus de Matosinhos (Igreja Matriz) - p2gg
O Nasoni era italianíssimo, mas soube entender os méritos do granito lusitano...

Tuesday, May 01, 2012

Naturais de Cantanhede, pedreiros de profissão

António Gedeão

Álvaro Gois,
Rui Mamede,
filhos de António Brandão,
naturais de Cantanhede,
pedreiros de profissão,
de sombrias cataduras
como bisontes lendários,
modelam ternas figuras
na brutidão dos calcários.

Ali, no esconso recanto,
só o túmulo, e mais nada,
suspenso no roxo pranto
de uma fresta geminada.
Mas no silêncio da nave,
como um cinzel que batuca,
soa sempre um truca...truca...
lento, pausado, suave,
truca, truca, truca, truca,
sob a abóbada romântica,
como um cinzel que batuca
numa insistência satânica:
truca, truca, truca, truca,
truca, truca, truca, truca.

Álvaro Gois,
Rui Mamede,
filhos de António Brandão,
naturais de Cantanhede,
ambos vivos ali estão,
truca, truca, truca, truca,
vestidos de surrobeco
e acocorados no chão,
truca, truca, truca, truca.

No friso, largo de um palmo,
que dá volta a toda a arca,
um cristo, de gesto calmo,
assiste ao chegar da barca.
Homens de vária feição,
barrigudos e contentes,
mostram, no riso dos dentes
o gozo da salvação.
Anjinhos de longas vestes,
e cabelo aos caracóis,
tocam pífaros celestes,
entre cometas e sóis.
Mulheres e homens, sem paz,
esgaseados de remorsos,
desistem de fazer esforços,
entregam-se a Satanás.

Fixando a pedra, mirando-a,
quanto mais o olhar se educa,
mais se estende o truca...truca...
que enche a nave, transbordando-a,
truca, truca, truca, truca
truca, truca, truca, truca.

No desmedido caixão,
grande sonhor ali jaz.
Pupilo de Satanás?
Alma pura, de eleição?
Dom Afonso ou Dom João?
Para o caso tanto faz.



Ver o original aqui:


«Tanto a arte como a descoberta científica e o trabalho humano fixam a sua atenção e lhe merecem aplauso. Antes de José Saramago ter escrito as suas páginas de homenagem aos trabalhadores que ergueram pedra a pedra o mosteiro de Mafra, no Memorial do Convento, já António Gedeão nos dera o «Poema da Pedra Lioz» 3, mencionando logo de entrada os nomes de «Álvaro Góis / Rui Mamede, / filhos de António Brandão / naturais de Cantanhede; / pedreiros de profissão, / de sombrias cataduras». Nestes versos se projectam o talento e o esforço desses artesãos quase anónimos, lavrando o calcário sob a abóbada românica. Cântico ao trabalho de onde a beleza vai britar e projectar-se no tempo, para além da morte que iguala os nobres e os plebeus».

Venham ver, Maio nasceu

 
 Working on an oil wellhead. Greater Burhan, Kuwait . 1991
 Working on an oil wellhead. Greater Burhan, Kuwait . 1991
Textile industry. Chittagong, Bangladesh . 1989 
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