Monday, September 19, 2011

O menino e o poeta / The boy and the poet [uma curta-metragem de Luiz Duarte]

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Carlos Drummond de Andrade (in Copacabana)
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«O MENINO E O POETA é um filme de curta-metragem do dramaturgo e diretor Luiz Duarte. O filme, com 16 minutos de duração, mostra o início da amizade de um menino de rua, com o poeta Carlos Drummond de Andrade, representado por sua escultura (estátua) que existe na orla da praia de Copacabana, e que hoje se transformou em ponto turístico do bairro. No filme a escultura ganha vida para o menino, e passam a conversar sobre diversos assuntos, onde a vida, a morte, e a própria poesia são temas centrais. Para o autor e diretor do filme, O menino e o poeta, é um exercício de poesia audiovisual e uma homenagem ao poeta Carlos Drummond de Andrade. FATO INÉDITO: Independentemente do conteúdo poético e cinematográfico, a grande notícia é que com essa produção Luiz Duarte faz uma extraordinária inovação e contribuição para a dramaturgia no cinema. Pela primeira vez na história audiovisual, a voz de uma personagem ficcional (falas que o texto exigia) foi inteiramente recriada digitalmente a partir de amostras da voz da verdadeira personagem (voz verdadeira de Carlos Drummond de Andrade). Foi preciso quase um ano de trabalho, para que o diretor pudesse desenvolver a técnica e fazer com que o próprio poeta Drummond, "falasse" as suas falas escritas no roteiro. A personagem do menino é interpretada por Wallace Coutinho de Souza. Mais informações em www.luizduarte.com »
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Thursday, September 15, 2011

Wallpaper groups. Tissues: Portugal, «Hospitais da Universidade de Coimbra» - p4

Versão da minha exclusiva responsabilidade, feita para este blogue, de um padrão . Esta imagem não tem correspondência com os tecidos originais. Procurei apenas respeitar as suas cores e dimensões. Os tecidos originais podem ser vistos aqui:
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«» are all drawn by Jorge Rezende

Monday, September 12, 2011

A força poética do conhecimen​to científico​ [numa crónica de Carlos Drummond de Andrade]

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«A descober­ta é a própria poesia»
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«ah, que sei apenas escrever a palavra estrela, e jamais descobrirei uma...»
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Carlos Drummond de Andrade, por Portinari
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O COMPANHEIRO OCULTO DE AITKEN-14

Cada vez sinto mais a força poética do conhecimento científico. Poeta, para mim, neste momento, é Ronaldo Ro­gério de Freitas Mourão, astrônomo-chefe da Seção de Equatoriais do Observatório Nacional. Seus livros de ver­sos não contêm versos, embora obedeçam à métrica mais exigente: a micrométrica. Usa o menor número possível de palavras; exprime-se por algarismos, com rigor matemático. Entretanto, Rogério vê o invisível, o que me parece ser o objeto principal da poesia, e resultado que raros poetas conseguem obter em raros instantes de felicidade verbal.
Ver o invisível? Isso mesmo. Armado de poderosas len­tes de observatório, não se satisfaz com o que elas lhe reve­lam; vai além, e, a poder de cálculos, identifica, suspensos no espaço, corpos alheios à vista humana. Ainda agora, des­cobriu o companheiro oculto de Aitken-14, estrela dupla.
As estrelas duplas são o forte desse moço pesquisador celeste que já editou quatro séries de dados sobre pares de estrelas, fruto de observação própria. O catálogo do Lick Observatory, em 1964, informa sobre a existência conheci­da, até 1960, de 64.247 estrelas duplas. Nesse universo fan­tástico, Ronaldo se move com a perícia (e a intuição poética) do caçador submarino que fisga espécies novas para oferecê-las ao conhecimento humano.
Estrelas duplas, ou binárias, são as que se apresentam com características comuns de posição e movimento. O padre O'Grady, em seu dicionário do céu, salva minha igno­rância, anotando que a origem desses sistemas estelares ainda é objeto de discussão; admite-se geralmente que as duplas resultam da divisão de estrelas simples, do mesmo modo que, ao se dividirem as duplas, se criam as triplas, e assim por dian­te. Seja como for, o certo é que a imagem desses astros con­jugados em órbita é de extraordinária eficácia lírica. A relação amorosa fatalmente se insinua no conhecimento cien­tífico, ou este é que o sugere. Estrelas que não querem viver desgarradas, que se prendem por uma necessidade maior, de­nunciada pelo Dante: l'amor che move il sole e l'altre stelle. O verso medieval não se gastou, depois de tão repetido pela demagogia poética: a ciência de nossos dias o comprova.
Aitken-14 não se satisfez com a existência geminada; guar­da consigo o segredo de outra companhia, de que Rogério Mourão foi descobridor à custa de muita e ordenada pesqui­sa, ele que retificou as medidas internacionais da Dunlop-203 e devassa o céu noturno, sem Lua, por meio de uma "câmara todo-céu", de sua concepção. Que companhia é esta, invisível mas pulsante na página cheia de números? A objetiva mais poderosa ainda não logrou captá-la. Não há imagem brilhante, disco estelar, anéis de difração. Tudo está entre Rogério e a fo­lha de cálculos enigmáticos para nós leigos, mas isto se move, isto vibra, e amanhã, daqui a não sei quantos anos, terá co­nhecida sua natureza, sua composição, seu mistério; será tal­vez pisado por pés de homem. Segundo o Informe JB, que dá a notícia, Rogério sabe que tão cedo sua descoberta não será cantada em prosa e verso. Nem precisa de canto. A descober­ta é a própria poesia. Forma diversa da usada habitualmente para manifestar a criação poética, e mais direta: a criação do próprio fato de poesia, abstração tornada realidade. Não, Ro­naldo Rogério de Freitas Mourão não necessita de prosa ou verso, ou versiprosa, para que visualizemos sua estrela ocul­ta: ela está luzindo com apenas ser enunciada, e daqui lhe con­fesso minha inveja: ah, que sei apenas escrever a palavra estrela, e jamais descobrirei uma...
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Jornal do Brasil, 26/05/70
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Ver neste blogue:

Thursday, September 08, 2011

Tissues / Tecidos: Hospitais da Universidade de Coimbra



Os meus agradecimentos a quem trabalha nos HUC, particularmente em Ortopedia A.
As fotografias dos tecidos são de minha autoria.
Desafio os leitores a verem quais são as simetrias existentes nestes tecidos.

Wednesday, September 07, 2011

NÃO [de uma crónica de Carlos Drummond de Andrade]


Um jornal de Belo Horizonte andou perguntando a seus leitores qual a melhor frase de autor mineiro.
(...)
E, depois de muito hesitar, admito que acabaria optando por uma solução bem simples. A melhor frase de escritor mineiro não é de escritor nem é uma frase. Está nos Autos de Devassa da Inconfidência Mineira, volume IV, página 35, e seu autor é Tiradentes:
"E insistindo nisto, por mais instâncias, que se lhe fizeram... não teve que lhe responder, mais que uma simples, e fria negação."
Este não, simples e frio, diante do opressor, parece-me uma boa frase. Porque boa frase, para mineiros, é muitas vezes o silêncio.
Leitura, setembro 1949
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(ESPÍRITO E SENSIBILIDADE DOS MINEIROS, Carlos Drummond de Andrade, Auto-retrato e outras crônicas)
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Thursday, September 01, 2011

Wallpaper groups. Portuguese tiles: Eduardo Nery - p4mm

combinação de azulejos do grupo 
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Portuguese tiles: Eduardo Nery, Azulejo (2)
combinação de azulejos do grupo
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Versão da minha exclusiva responsabilidade, feita para este blogue, de azulejos de Eduardo Nery, com um eixo de reflexão numa diagonal. As cores e as combinações de cada azulejo também são da minha exclusiva responsabilidade.
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Ver
Eduardo Nery (Official Website)

Monday, August 29, 2011

A saia de Alicita


(...)
Outro momento que dá bem a medida do cunho de bondade, de humanidade e espírito de sacrifício que Soeiro Pereira Gomes possuia passou-se pouco tempo antes de ele morrer.
Mais uma vez o elevador não funcionava e obriga o nosso amigo a subir a pé até ao 5.° andar. A criada da casa vem dizer-me: «Está ali o senhor Teixeira.» Respondo, instintivamente: «Não pode ser... o elevador não funciona.» Custava-me a acreditar quc ele fosse capaz, no estado em que já se encontrava, de subir todos aqueles lances de escada. Pois era ele. E eu digo: «Então foste capaz de subir ate aqui, pá?!» «Que querias que eu fizesse? Mas não custou nada. Venho só dar-te um abraço. E gostaria de falar a Alicita, mas já que ela não está da-lhe estas calças de linho inglês. Usei-as muito pouco. Ela que faça delas uma saia.»
Depois deitou-se em cima da minha cama e perguntou: «Tens aí um cigarro?» Eu não fumava por hábito, na altura, e por isso respondi: «Não, não tenho. O Orlando é que fuma, mas não tem cá tabaco.» Então ele diz «Deixa, que eu tenho aqui um cigarro.» Vai ao bolso do peito do casaco, tira um Du Maurier, parte-o ao meio e estende-me metade, dizendo:«Vamos os dois fumar uma cigarrada, para despedida. Vou para a aldeia tratar-me junto da família. Lá, vou melhorar muito. Isto vai ficar em boas condições.» Tudo dito com um sorriso, como se estivesse alegre e seguro de que tudo se iria passar assim.
Era um amigo cheio de ternura e gratidão. O facto de se ter sacrificado a subir daquele 5.º andar para se despedir de nós e, simulando grande satisfação, fumar o meio cigarro para «comemorar» as melhoras que adviriam da sua partida para a «aldeia», prova isso mesmo.
Não tornaria a vê-lo.
Mas a sua estatura moral e humana, a sua coragem tem-me acompanhado ao longo da vida e dado ânimo em momentos difíceis.

(...)
As calças brancas, de linho, que ele quis deixar-me como recordação, no último dia que foi à Rua Andrade Corvo, transformei-as na saia que ele sugeriu. Ainda a conservo e uso. Tanto para mim como para o Maldonado é lembrança de inestimável valor.

[Depoimentos de Custódio Maldonado Freitas e Alice de Carvalho no livro A Passagem. Uma biografia de Soeiro Pereira Gomes de Manuela Câncio Reis.]

Sunday, August 07, 2011

Noi fummo i Gattopardi, i Leoni; quelli che ci sostituiranno saranno gli sciacalletti, le iene...



(...)
L'indomani mattina presto Chevalley riparti e a Don Fabrizio, che aveva stabilito di andare a caccia, riuscì facile accom­unarlo alla stazione di posta. Don Ciccio Tumeo era con loro e portava sulle spalle il doppio peso dei due fucili, il suo e quello di Don Fabrizio, e dentro di sé la bile delle proprie virtù conculcate.
Intravista nel chiarore livido delle cinque e mezzo del mattino, Donnafugata era deserta ed appariva disperata. Di­nanzi a ogni abitazione i rifiuti delle mense miserabili si accu­mulavano lungo i muri lebbrosi; cani tremebondi li rimestavano con avidità sempre delusa. Qualche porta era già aperta ed il lezzo dei dormienti pigiati dilagava nella strada; al barlume dei lucignoli le madri scrutavano le palpebre tracomatose dei bambini; esse erano quasi tutte in lutto e parecchie erano state le mogli di quei fantocci sui quali s'incespica agli svolti delle "trazzere." Gli uomini, abbrancato lo "zappone" uscivano per cercare chi, a Dio piacendo, desse loro lavoro; silenzio atono o stridori esasperati di voci isteriche; dalla parte di Santo Spirito l'alba di stagno cominciava a sbavare sulle nuvole plumbee.
Chevalley pensava: "Questo stato di cose non durerà; la nostra amministrazione, nuova, agile, moderna cambierà tut­to." Il Principe era depresso: "Tutto questo" pensava "non dovrebbe poter durare; però durerà, sempre; il sempre umano, beninteso, un secolo, due secoli...; e dopo sarà diverso, ma peggiore. Noi fummo i Gattopardi, i Leoni; quelli che ci sostituiranno saranno gli sciacalletti, le iene; e tutti quanti Gattopardi, sciacalli e pecore, continueremo a crederci il sale della terra." Si ringraziarono scambievolmente, si salutarono. Chevalley s'inerpicò sulla vettura di posta, issata su quattro ruote color di vomito. Il cavallo, tutto fame e piaghe, iniziò il lungo viaggio.
Era appena giorno; quel tanto di luce che riusciva a trapassare il coltrone di nuvole era di nuovo impedito dal sudiciume immemoriale del finestrino. Chevalley era solo; fra urti e scossoni si bagnò di saliva la punta dell'indice, ripulì il vetro per l'ampiezza di un occhio. Guardò; dinanzi a lui sotto la luce di cenere, il paesaggio sobbalzava, irredimibile.

(Giuseppe Tomasi di Lampedusa, Il Gattopardo - Parte IV)

Il Gattopardo (Luchino Visconti): "Noi fummo i Gattopardi, i Leoni"

Tuesday, August 02, 2011

Boris Vian: «Si je ne comprends rien aux maths, j’aurais plutôt honte de le dire»

Boris Vian (Wikipedia)

(...)
Je parle du Français littéraire qui prétend s'intéresser à la science-fiction.
Quel est le lecteur idéal, alors?
Le lecteur idéal pour les romans de science-fiction, c'est le mathématicien, le physicien ou les gens très cultivés du modèle de Raymond Queneau, qui savent à la fois ce que l'on fait en littérature, ce que l'on fait en mathématiques, ce que l’on fait en physique. Ce sont les gens qui ne font pas un mur entre eux et une partie de la connaissance.
PIERRE KAST. — Des coordinateurs.
BORIS VIAN. — Des coordinateurs, les gens qui sont pour la synthèse. Parce que c’est très joli, c’est extrêmement connu et extrêmement courant de dire en français, de dire avec orgueil: «Moi, je ne comprends rien aux maths.» Personnellement, je fais la réflexion suivante : «Si je ne comprends rien aux maths, j’aurais plutôt honte de le dire.» Se présenter de but en blanc comme un imbécile n’est pas le meilleur moyen de se présenter. Un type-qui- ne-comprend-rien-aux-maths est un fieffé imbécile, un point c'est tout!
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Boris Vian (Entretien avec Pierre Kast et André S. Labarthe publié dans Boris Vian, Cinéma science-fiction, 10/18, p. 166.)
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Vidéos:

Sunday, July 31, 2011

Le 31 juillet 1961 / 31 de julho de 1961

Faz hoje precisamente 50 anos que os portugueses abandonaram definitivamente a Costa dos Escravos.
Il y a 50 ans les Portugais ont quitté définitivement la Côte des Esclaves. 
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«Sengbe Pieh (1813 - ca. 1879), mais tarde conhecido como Joseph Cinqué, era um homem da África Ocidental da etnia Mende e foi o mais proeminente arguido no Caso Amistad (1841), no qual verificou-se que ele e outros 52 haviam sido vítimas ilegal do tráfico de escravos do Atlântico. (...) Cinqué nasceu por volta de 1813 onde agora é Serra Leoa, mas a data exata do seu nascimento é desconhecida. Ele era um agricultor de arroz, casado, com três filhos, quando foi capturado ilegalmente pelos traficantes de escravos africanos em 1839 e aprisionado no navio negreiro português Tecora. Esta foi uma violação dos tratados internacionais para proibir o comércio escravo. Cinqué foi levado para Cuba, onde foi vendido com 52 outras pessoas para os espanhóis José Ruiz e Pedro Montez.»
«No filme de 1997 Amistad, alusivo aos eventos do motim e julgamento, Cinqué foi retratado pelo ator Djimon Hounsou
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«The ''Tecora'' was a Portuguese slave ship of the early 19th century
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Video
The Enslavement of Sengbe Pieh / Joseph Cinqué
Un extrait du fim de Steven Spielberg «Amistad» où on voit le navire portugais Tecora qui transportait des esclaves pour l'Amérique.
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À lire / Ler
A costa dos escravos / La côte des esclaves

Monday, July 25, 2011

Portuguese tiles: Eduardo Nery, Azulejo (2)


Versão da minha exclusiva responsabilidade, feita para este blogue, de um azulejo de Eduardo Nery, com um eixo de reflexão numa diagonal, e que foi aplicado, variando as cores, em Setúbal, no Palácio da Justiça. Esta versão tem uma coloração muito diferente por motivos técnicos e destina-se apenas a mostrar as propriedades geométricas do azulejo.
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Ver
Eduardo Nery (Official Website)

Saturday, July 23, 2011

Portuguese tiles: Eduardo Nery, Azulejo (1)

Versão minha, feita para este blogue, de um azulejo de Eduardo Nery, com um eixo de reflexão numa diagonal, e que foi aplicado em diversos painéis, variando as cores e as composições, em particular nos da Estação de Contumil (Porto).
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Ver
Eduardo Nery (Official Website)

Friday, July 08, 2011

A costa dos escravos / La côte des esclaves



Map of West African Dahomean & Yoruba Empires
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Vídeo:
Caetano Veloso: O Haiti é aqui...

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Há 50 anos:
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Tuesday, July 05, 2011

La filosofia è scritta in questo grandissimo libro... Egli è scritto in lingua matematica, e i caratteri son triangoli, cerchi, ed altre figure geometriche, senza i quali mezzi è impossibile a intenderne umanamente parola; senza questi è un aggirarsi vanamente per un oscuro laberinto.


«La filosofia è scritta in questo grandissimo libro che continuamente ci sta aperto innanzi a gli occhi (io dico l'universo), ma non si può intendere se prima non s'impara a intender la lingua, e conoscer i caratteri, ne' quali è scritto. Egli è scritto in lingua matematica, e i caratteri son triangoli, cerchi, ed altre figure geometriche, senza i quali mezzi è impossibile a intenderne umanamente parola; senza questi è un aggirarsi vanamente per un oscuro laberinto.»
Galileo Galilei, Il saggiatore