Wednesday, September 07, 2011

NÃO [de uma crónica de Carlos Drummond de Andrade]


Um jornal de Belo Horizonte andou perguntando a seus leitores qual a melhor frase de autor mineiro.
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E, depois de muito hesitar, admito que acabaria optando por uma solução bem simples. A melhor frase de escritor mineiro não é de escritor nem é uma frase. Está nos Autos de Devassa da Inconfidência Mineira, volume IV, página 35, e seu autor é Tiradentes:
"E insistindo nisto, por mais instâncias, que se lhe fizeram... não teve que lhe responder, mais que uma simples, e fria negação."
Este não, simples e frio, diante do opressor, parece-me uma boa frase. Porque boa frase, para mineiros, é muitas vezes o silêncio.
Leitura, setembro 1949
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(ESPÍRITO E SENSIBILIDADE DOS MINEIROS, Carlos Drummond de Andrade, Auto-retrato e outras crônicas)
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Thursday, September 01, 2011

Wallpaper groups. Portuguese tiles: Eduardo Nery - p4mm

combinação de azulejos do grupo 
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Portuguese tiles: Eduardo Nery, Azulejo (2)
combinação de azulejos do grupo
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Versão da minha exclusiva responsabilidade, feita para este blogue, de azulejos de Eduardo Nery, com um eixo de reflexão numa diagonal. As cores e as combinações de cada azulejo também são da minha exclusiva responsabilidade.
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Eduardo Nery (Official Website)

Monday, August 29, 2011

A saia de Alicita


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Outro momento que dá bem a medida do cunho de bondade, de humanidade e espírito de sacrifício que Soeiro Pereira Gomes possuia passou-se pouco tempo antes de ele morrer.
Mais uma vez o elevador não funcionava e obriga o nosso amigo a subir a pé até ao 5.° andar. A criada da casa vem dizer-me: «Está ali o senhor Teixeira.» Respondo, instintivamente: «Não pode ser... o elevador não funciona.» Custava-me a acreditar quc ele fosse capaz, no estado em que já se encontrava, de subir todos aqueles lances de escada. Pois era ele. E eu digo: «Então foste capaz de subir ate aqui, pá?!» «Que querias que eu fizesse? Mas não custou nada. Venho só dar-te um abraço. E gostaria de falar a Alicita, mas já que ela não está da-lhe estas calças de linho inglês. Usei-as muito pouco. Ela que faça delas uma saia.»
Depois deitou-se em cima da minha cama e perguntou: «Tens aí um cigarro?» Eu não fumava por hábito, na altura, e por isso respondi: «Não, não tenho. O Orlando é que fuma, mas não tem cá tabaco.» Então ele diz «Deixa, que eu tenho aqui um cigarro.» Vai ao bolso do peito do casaco, tira um Du Maurier, parte-o ao meio e estende-me metade, dizendo:«Vamos os dois fumar uma cigarrada, para despedida. Vou para a aldeia tratar-me junto da família. Lá, vou melhorar muito. Isto vai ficar em boas condições.» Tudo dito com um sorriso, como se estivesse alegre e seguro de que tudo se iria passar assim.
Era um amigo cheio de ternura e gratidão. O facto de se ter sacrificado a subir daquele 5.º andar para se despedir de nós e, simulando grande satisfação, fumar o meio cigarro para «comemorar» as melhoras que adviriam da sua partida para a «aldeia», prova isso mesmo.
Não tornaria a vê-lo.
Mas a sua estatura moral e humana, a sua coragem tem-me acompanhado ao longo da vida e dado ânimo em momentos difíceis.

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As calças brancas, de linho, que ele quis deixar-me como recordação, no último dia que foi à Rua Andrade Corvo, transformei-as na saia que ele sugeriu. Ainda a conservo e uso. Tanto para mim como para o Maldonado é lembrança de inestimável valor.

[Depoimentos de Custódio Maldonado Freitas e Alice de Carvalho no livro A Passagem. Uma biografia de Soeiro Pereira Gomes de Manuela Câncio Reis.]

Sunday, August 07, 2011

Noi fummo i Gattopardi, i Leoni; quelli che ci sostituiranno saranno gli sciacalletti, le iene...



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L'indomani mattina presto Chevalley riparti e a Don Fabrizio, che aveva stabilito di andare a caccia, riuscì facile accom­unarlo alla stazione di posta. Don Ciccio Tumeo era con loro e portava sulle spalle il doppio peso dei due fucili, il suo e quello di Don Fabrizio, e dentro di sé la bile delle proprie virtù conculcate.
Intravista nel chiarore livido delle cinque e mezzo del mattino, Donnafugata era deserta ed appariva disperata. Di­nanzi a ogni abitazione i rifiuti delle mense miserabili si accu­mulavano lungo i muri lebbrosi; cani tremebondi li rimestavano con avidità sempre delusa. Qualche porta era già aperta ed il lezzo dei dormienti pigiati dilagava nella strada; al barlume dei lucignoli le madri scrutavano le palpebre tracomatose dei bambini; esse erano quasi tutte in lutto e parecchie erano state le mogli di quei fantocci sui quali s'incespica agli svolti delle "trazzere." Gli uomini, abbrancato lo "zappone" uscivano per cercare chi, a Dio piacendo, desse loro lavoro; silenzio atono o stridori esasperati di voci isteriche; dalla parte di Santo Spirito l'alba di stagno cominciava a sbavare sulle nuvole plumbee.
Chevalley pensava: "Questo stato di cose non durerà; la nostra amministrazione, nuova, agile, moderna cambierà tut­to." Il Principe era depresso: "Tutto questo" pensava "non dovrebbe poter durare; però durerà, sempre; il sempre umano, beninteso, un secolo, due secoli...; e dopo sarà diverso, ma peggiore. Noi fummo i Gattopardi, i Leoni; quelli che ci sostituiranno saranno gli sciacalletti, le iene; e tutti quanti Gattopardi, sciacalli e pecore, continueremo a crederci il sale della terra." Si ringraziarono scambievolmente, si salutarono. Chevalley s'inerpicò sulla vettura di posta, issata su quattro ruote color di vomito. Il cavallo, tutto fame e piaghe, iniziò il lungo viaggio.
Era appena giorno; quel tanto di luce che riusciva a trapassare il coltrone di nuvole era di nuovo impedito dal sudiciume immemoriale del finestrino. Chevalley era solo; fra urti e scossoni si bagnò di saliva la punta dell'indice, ripulì il vetro per l'ampiezza di un occhio. Guardò; dinanzi a lui sotto la luce di cenere, il paesaggio sobbalzava, irredimibile.

(Giuseppe Tomasi di Lampedusa, Il Gattopardo - Parte IV)

Il Gattopardo (Luchino Visconti): "Noi fummo i Gattopardi, i Leoni"

Tuesday, August 02, 2011

Boris Vian: «Si je ne comprends rien aux maths, j’aurais plutôt honte de le dire»

Boris Vian (Wikipedia)

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Je parle du Français littéraire qui prétend s'intéresser à la science-fiction.
Quel est le lecteur idéal, alors?
Le lecteur idéal pour les romans de science-fiction, c'est le mathématicien, le physicien ou les gens très cultivés du modèle de Raymond Queneau, qui savent à la fois ce que l'on fait en littérature, ce que l'on fait en mathématiques, ce que l’on fait en physique. Ce sont les gens qui ne font pas un mur entre eux et une partie de la connaissance.
PIERRE KAST. — Des coordinateurs.
BORIS VIAN. — Des coordinateurs, les gens qui sont pour la synthèse. Parce que c’est très joli, c’est extrêmement connu et extrêmement courant de dire en français, de dire avec orgueil: «Moi, je ne comprends rien aux maths.» Personnellement, je fais la réflexion suivante : «Si je ne comprends rien aux maths, j’aurais plutôt honte de le dire.» Se présenter de but en blanc comme un imbécile n’est pas le meilleur moyen de se présenter. Un type-qui- ne-comprend-rien-aux-maths est un fieffé imbécile, un point c'est tout!
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Boris Vian (Entretien avec Pierre Kast et André S. Labarthe publié dans Boris Vian, Cinéma science-fiction, 10/18, p. 166.)
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Vidéos:

Sunday, July 31, 2011

Le 31 juillet 1961 / 31 de julho de 1961

Faz hoje precisamente 50 anos que os portugueses abandonaram definitivamente a Costa dos Escravos.
Il y a 50 ans les Portugais ont quitté définitivement la Côte des Esclaves. 
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«Sengbe Pieh (1813 - ca. 1879), mais tarde conhecido como Joseph Cinqué, era um homem da África Ocidental da etnia Mende e foi o mais proeminente arguido no Caso Amistad (1841), no qual verificou-se que ele e outros 52 haviam sido vítimas ilegal do tráfico de escravos do Atlântico. (...) Cinqué nasceu por volta de 1813 onde agora é Serra Leoa, mas a data exata do seu nascimento é desconhecida. Ele era um agricultor de arroz, casado, com três filhos, quando foi capturado ilegalmente pelos traficantes de escravos africanos em 1839 e aprisionado no navio negreiro português Tecora. Esta foi uma violação dos tratados internacionais para proibir o comércio escravo. Cinqué foi levado para Cuba, onde foi vendido com 52 outras pessoas para os espanhóis José Ruiz e Pedro Montez.»
«No filme de 1997 Amistad, alusivo aos eventos do motim e julgamento, Cinqué foi retratado pelo ator Djimon Hounsou
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«The ''Tecora'' was a Portuguese slave ship of the early 19th century
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Video
The Enslavement of Sengbe Pieh / Joseph Cinqué
Un extrait du fim de Steven Spielberg «Amistad» où on voit le navire portugais Tecora qui transportait des esclaves pour l'Amérique.
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À lire / Ler
A costa dos escravos / La côte des esclaves

Monday, July 25, 2011

Portuguese tiles: Eduardo Nery, Azulejo (2)


Versão da minha exclusiva responsabilidade, feita para este blogue, de um azulejo de Eduardo Nery, com um eixo de reflexão numa diagonal, e que foi aplicado, variando as cores, em Setúbal, no Palácio da Justiça. Esta versão tem uma coloração muito diferente por motivos técnicos e destina-se apenas a mostrar as propriedades geométricas do azulejo.
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Eduardo Nery (Official Website)

Saturday, July 23, 2011

Portuguese tiles: Eduardo Nery, Azulejo (1)

Versão minha, feita para este blogue, de um azulejo de Eduardo Nery, com um eixo de reflexão numa diagonal, e que foi aplicado em diversos painéis, variando as cores e as composições, em particular nos da Estação de Contumil (Porto).
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Eduardo Nery (Official Website)

Friday, July 08, 2011

A costa dos escravos / La côte des esclaves



Map of West African Dahomean & Yoruba Empires
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Vídeo:
Caetano Veloso: O Haiti é aqui...

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Há 50 anos:
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Tuesday, July 05, 2011

La filosofia è scritta in questo grandissimo libro... Egli è scritto in lingua matematica, e i caratteri son triangoli, cerchi, ed altre figure geometriche, senza i quali mezzi è impossibile a intenderne umanamente parola; senza questi è un aggirarsi vanamente per un oscuro laberinto.


«La filosofia è scritta in questo grandissimo libro che continuamente ci sta aperto innanzi a gli occhi (io dico l'universo), ma non si può intendere se prima non s'impara a intender la lingua, e conoscer i caratteri, ne' quali è scritto. Egli è scritto in lingua matematica, e i caratteri son triangoli, cerchi, ed altre figure geometriche, senza i quali mezzi è impossibile a intenderne umanamente parola; senza questi è un aggirarsi vanamente per un oscuro laberinto.»
Galileo Galilei, Il saggiatore