Saturday, June 19, 2010

Põe na mesa a toalha adamascada...

Aprendamos o rito

Põe na mesa a toalha adamascada,
Traz as rosas mais frescas do jardim,
Deita o vinho no copo, corta o pão,
Com a faca de prata e de marfim.

Alguém se veio sentar à tua mesa,
Alguém a quem não vês, mas que pressentes.
Cruza as mãos no regaço, não perguntes:
Nas perguntas que fazes é que mentes.

Prova depois o vinho, come o pão,
Rasga a palma da mão no caule agudo,
Leva as rosas à fronte, cobre os olhos,
Cumpriste o ritual e sabes tudo.

(José Saramago)
In Os Poemas Possíveis, Editorial Caminho, 3.ª ed., p. 81


Ouvir:
Aprendamos o Rito
in Carlos do Carmo ao Vivo no CCB

... e chegará o dia das surpresas

Ouvindo Beethoven

Venham leis e homens de balanças,
mandamentos d'aquém e d'além mundo.
Venham ordens, decretos e vinganças,
desça em nós o juízo até ao fundo.

Nos cruzamentos todos da cidade
a luz vermelha brilhe inquisidora,
risquem no chão os dentes da vaidade
e mandem que os lavemos a vassoura.

A quantas mãos existam peçam dedos
para sujar nas fichas dos arquivos.
Não respeitem mistérios nem segredos
que é natural os homens serem esquivos.

Ponham livros de ponto em toda a parte,
relógios a marcar a hora exacta.
Não aceitem nem queiram outra arte
que a prosa de registo, o verso acta.

Mas quando nos julgarem bem seguros,
cercados de bastões e fortalezas,
hão-de ruir em estrondo os altos muros
e chegará o dia das surpresas.

(José Saramago, in "Os Poemas Possíveis", 1966)

Vídeo:
Ouvindo Beethoven
(Manuel Freire)

Friday, June 18, 2010

Dia não

José Saramago
(16 de Novembro de 1922 - 18 de Junho de 2010)

De paisagens mentirosas
de luar e alvoradas
de perfumes e de rosas
de vertigens disfarçadas.

Que o poema se desnude
de tais roupas emprestadas
seja seco, seja rude
como pedras calcinadas.

Que não fale em coração
nem de coisas delicadas
que diga não quando não
que não finja mascaradas.

De vergonha se recolha
se as faces tiver molhadas
para seus gritos escolha
as orelhas mais tapadas.

E quando falar de mim
em palavras amargadas
que o poema seja assim
portas e ruas fechadas.

Ah! que saudades do sim
nestas quadras desoladas.

Luís Cília: "Dia não"
Luís Cília (e Manuel Freire): "Dia Não"

Tuesday, June 15, 2010

Belgique-België: Avec Frida la Blonde quand elle devient Margot...

Le Plat Pays
(Jacques Brel)

Avec la mer du Nord pour dernier terrain vague
Et des vagues de dunes pour arrêter les vagues
Et de vagues rochers que les marées dépassent
Et qui ont à jamais le cœur à marée basse
Avec infiniment de brumes à venir
Avec le vent de l'est écoutez-le tenir
Le plat pays qui est le mien

Avec des cathédrales pour uniques montagnes
Et de noirs clochers comme mâts de cocagne
Où des diables en pierre décrochent les nuages
Avec le fil des jours pour unique voyage
Et des chemins de pluie pour unique bonsoir
Avec le vent d'ouest écoutez-le vouloir
Le plat pays qui est le mien

Avec un ciel si bas qu'un canal s'est perdu
Avec un ciel si bas qu'il fait l'humilité
Avec un ciel si gris qu'un canal s'est pendu
Avec un ciel si gris qu'il faut lui pardonner
Avec le vent du nord qui vient s'écarteler
Avec le vent du nord écoutez-le craquer
Le plat pays qui est le mien

Avec de l'Italie qui descendrait l'Escaut
Avec Frida la Blonde quand elle devient Margot
Quand les fils de novembre nous reviennent en mai
Quand la plaine est fumante et tremble sous juillet
Quand le vent est au rire quand le vent est au blé
Quand le vent est au sud écoutez-le chanter
Le plat pays qui est le mien

Brel and chanson: a critical appreciation - Google Books Result

Le plat pays
Mijn vlakke land

Sunday, June 13, 2010

Fernando de Bulhões


Outono de 1220. Um barco vindo de Marrocos naufraga ao largo da Sicília. Os náufragos vão dar a uma praia perto da cidade de Messina. Entre eles, estão Fernando de Bulhões (dito «Santo António de Lisboa» ou «Santo António de Pádua») e Leonardo Pisano Bogollo (dito Leonardo de Pisa, Leonardo Pisano, Leonardo Bonacci ou Leonardo Fibonacci, mais conhecido por «Fibonacci»).
O primeiro, António, era um religioso que pertencia à Ordem dos Franciscanos. O segundo, Fibonacci, era um matemático italiano (talvez o maior matemático ocidental da Idade Média). Fibonacci trouxe para a Europa o sistema numérico Indu-Arábico, incluindo o número zero, espalhado neste continente através do seu Livro de Cálculo, o Liber Abaci, publicado no início do século XIII, com enormes e incalculáveis consequências técnicas e científicas.
Este filme trata essencialmente do papel de líder de António na revolta do povo de Pádua contra os usurários. Fibonacci tinha escolhido colocar os seus conhecimentos ao serviço destes últimos...
[Se todo este enredo respeita a verdade histórica, ou não, é outra estória...]


Friday, June 11, 2010

Der reissende Strom wird gewalttätig genannt...

Über die Gewalt

Der reissende Strom wird gewalttätig genannt
Aber das Flussbett, das ihn einengt
Nennt keiner gewalttätig.

Der Sturm, der die Birken biegt
Gilt für gewalttätig.
Aber wie ist es mit dem Sturm
Der die Rücken der Strassenarbeiter biegt?

(Bertolt Brecht)

Tradução:
Sobre a Violência

Sunday, June 06, 2010

A vida é amiga da arte...

Força Estranha
(Caetano Veloso)

Eu vi o menino correndo
Eu vi o tempo
Brincando ao redor do caminho daquele menino
Eu pus os meus pés no riacho
E acho que nunca os tirei
O sol ainda brilha na estrada e eu nunca passei

Eu vi a mulher preparando outra pessoa
O tempo parou pra eu olhar para aquela barriga
A vida é amiga da arte
É a parte que o sol me ensinou
O sol que atravessa essa estrada que nunca passou

Por isso uma força me leva a cantar
Por isso essa força estranha
Por isso é que eu canto, não posso parar
Por isso essa voz tamanha

Eu vi muitos cabelos brancos na fonte do artista
O tempo não pára e no entanto ele nunca envelhece
Aquele que conhece o jogo
Do fogo das coisas que são
É o sol, é a estrada, é o tempo, é o pé e é o chão

Eu vi muitos homens brigando
Ouvi seus gritos
Estive no fundo de cada vontade encoberta
E a coisa mais certa de todas as coisas
Não vale um caminho sob o sol
E o sol sobre a estrada é o sol sobre a estrada é o sol

Por isso uma força me leva a cantar
Por isso essa força estranha
Por isso é que eu canto, não posso parar
Por isso essa voz tamanha

Força Estranha (Caetano Veloso)

Wednesday, June 02, 2010

Não tinha sequer um cozinheiro ao seu serviço?

Fragen eines lesenden Arbeiters

Wer baute das siebentorige Theben?
In den Büchern stehen die Namen von Königen.
Haben die Könige die Felsbrocken herbeigeschleppt?
Und das mehrmals zerstörte Babylon
Wer baute es so viele Male auf? In welchen Häusern
Des goldstrahlenden Lima wohnten die Bauleute?
Wohin gingen an dem Abend, wo die Chinesische Mauer fertig war
Die Maurer? Das große Rom
Ist voll von Triumphbögen. Wer errichtete sie? Über wen
Triumphierten die Cäsaren? Hatte das vielbesungene Byzanz
Nur Paläste für seine Bewohner? Selbst in dem sagenhaften Atlantis
Brüllten in der Nacht, wo das Meer es verschlang
Die Ersaufenden nach ihren Sklaven.

Der junge Alexander eroberte Indien.
Er allein?
Cäsar schlug die Gallier.
Hatte er nicht wenigstens einen Koch, bei sich?
Philipp von Spanien weinte, als seine Flotte
Untergegangen war. Weinte sonst niemand?
Friedrich der Zweite siegte im Siebenjährigen Krieg. Wer
Siegte außer ihm?

Jede Seite ein Sieg.
Wer kochte den Siegesschmaus?
Alle zehn Jahre ein großer Mann.
Wer bezahlte die Spesen?

So viele Berichte.
So viele Fragen.

(Bertolt Brecht, 1935-1936)

Ler quatro traduções aqui:
NOITE e DIA na tradução dos poemas de B. Brecht
Fragen eines lesenden Arbeiters (Wikipedia)

Monday, May 31, 2010

Se o homem indispensável tosse, três reinos vacilam...


Bei der Nachricht von der Erkrankung eines mächtigen Staatsmanns

Wenn der unentbehrliche Mann hustet
Wanken drei Reiche.
Wenn der unentbehrliche Mann stirbt
Schaut sich die Welt um wie eine Mutter, die keine Milch für ihr Kind hat.
Kehrte der unentbehrliche Mann eine Woche nach seinem Tode zurück
Fände sich im ganzen Reich für ihn nicht mehr die Stelle eines Portiers.

(Bertolt Brecht)

*

A propósito da notícia da doença de um poderoso estadista

Se este homem insubstituível franze o sobrolho
Dois reinos periclitam.
Se este homem insubstituível morre
O mundo inteiro se aflige como a mãe sem leite para o filho.
Se este homem insubstituível ressuscitasse ao oitavo dia
Não acharia em todo o império uma vaga de porteiro.

(tradução de Arnaldo Saraiva)

Thursday, May 27, 2010

One night they were all taken away... such sweet people, carried away like cattle...

Samuel Jessurun de Mesquita (1868-1944)
Self-portrait with walking stick, hat and cigar, 1935
«In 1968, the Dutch journalist Bibeb interviewed Escher at length, and his vivid recollection of those events can be felt in his response to her final question, "Were you able to work during the occupation?" Escher replied:
Yes. By then I was living here [in Baarn]. My most important ideas were worked out best during the war. I still have the greatest difficulty with the Krauts. ... I was not involved with the Resistance, but I had many Jewish friends who were killed. My old teacher, de Mesquita. He did not want to go into hiding. They were Portuguese Jews and the Krauts had always allowed that they belonged to the elite. One night they were all taken away. His son, Jaap, a clever boy, had worked day and night. . . . He had often gone to see the Krauts in order to talk with them about his ancestors. They were not noble, but almost. . . . One bad day they were all gone. In 1944, during the famine winter, I wanted to bring them something, apples. ... I walked to their house. The windows on the first floor were broken. The neighbors said: "You hadn't heard? The de Mesquitas have been taken away."
This (a drawing) lay on the floor with the impressions of the cleats from the Krauts' boots. It was lying under the staircase. And in his studio everything was a mess, everything on the floor. I took home two hundred prints. . . . No matter what you do, you cannot forget such things. I cannot. . . . Taken away in the middle of the night. And he could have been saved. I tried so hard to convince him. No he was protected, he said. Why should he hide? Afterwards I blamed myself. But they did not wish to. Jaap in his talks with the Krauts had produced all sorts of genealogical registers. They were half noble. The Krauts found that impressive. They almost never left their home. Really terrible, you know, such sweet people, carried away like cattle to be butchered.
... I owe him a great deal. He was my graphics teacher. . . . He saw something in my woodcuts. He insisted that I go on with them. If he had not talked with my parents, I would have gone on into architecture. And I never really wanted to build houses. Only madhouses.
»

From the book
M. C. Escher: Visions of Symmetry (Doris Schattschneider)
(interview from the book De Mens Is een Ramp voor de Wereld. Bibeb, "M. C Escher: Ik vind wat ik zelf maak het mooiste en ook het lelijkste" ("What I myself make seems to me the most beautiful and the most ugly"). In De mens is een ramp voor de wereld (People are a Disaster for the World), 68-84. Amsterdam: Van Gennep, 1969. Originally published in Vrij Nederland, April 20, 1968.)

Sunday, May 23, 2010

The Life and Works of M. C. Escher (Metamorphose: MC Escher, 1898-1972)


Video:
(in spanish)
«"The Life and Works of M.C. Escher" (Jan Dosdriesz/Wim Hazeu, Acorn Media, 1998, 60 min). This video was originally released as "Metamorphose: MC Escher, 1898-1972" (produced by Cinemedia in cooperation with NPS and Radio Netherlands television).» [Amazon.com]
«The Life and Works of M.C. Escher traces the artist from his childhood days in the Netherlands, to his stints in southern Italy and Switzerland and his return to his homeland, where he produced some of his most intriguing works. The Dutch artist's unique perspectives and intricate, enigmatic designs brought him enduring fame. But success came at a cost to his family life. The film portrays Escher's obsession with his art and the sacrifices he made for the sake of his accomplishments. Footage of Escher's works, film clips taken at Escher's favorite haunts, and interviews with the artist himself, blend to create an insightful look at one of the most fascinating artists of the past century. ~ Sally Barber, All Movie Guide»

See also, from this movie:
Escher and the Alhambra (in english)
(in italian)

Friday, May 21, 2010

M. C. Escher: "Snakes", 1969

Image from the Gallery of The Official M.C. Escher Website
*
«Rare video of the great late M. C. Escher doing what would be his last ever print shortly before his death: Snakes.»
Snakes
«A CG movie based on a woodcut by M. C. Escher, by Cristóbal Vila. Go to http://www.etereaestudios.com/ for more info.»
Snakes The movie

Wednesday, May 19, 2010

A Ciência pode ser encarada sob dois aspectos diferentes

Duas atitudes em face da Ciência

A Ciência pode ser encarada sob dois aspectos diferentes. Ou se olha para ela tal como vem exposta nos livros de ensino, como coisa criada, e o aspecto é o de um todo harmonioso, onde os capítulos se encadeiam em ordem, sem contradições. Ou se procura acompanhá-la no seu desenvolvimento progressivo, assistir à maneira como foi sendo elaborada, e o aspecto é totalmente diferente — descobrem-se hesitações, dúvidas, contradições, que só um longo trabalho de reflexão e apuramento consegue eliminar, para que logo surjam outras hesitações, outras dúvidas, outras contradições.
Descobre-se ainda qualquer coisa mais importante e mais interes­sante: — no primeiro aspecto, a Ciência parece bastar-se a si própria, a formação dos conceitos e das teorias parece obedecer só a necessi­dades interiores; no segundo, pelo contrário, vê-se toda a influência que o ambiente da vida social exerce sobre a criação da Ciência.
A Ciência, encarada assim, aparece-nos como um organismo vivo, impregnado de condição humana, com as suas forças e as suas fraque­zas e subordinado às grandes necessidades do homem na sua luta pelo entendimento e pela libertação; aparece-nos, enfim, como um grande capítulo da vida humana social.

A atitude que será aqui adoptada

Será esta a atitude que tomaremos aqui. A Matemática é geral­mente considerada como uma ciência à parte, desligada da realidade, vivendo na penumbra do gabinete, um gabinete fechado, onde não entram os ruídos do mundo exterior, nem o sol nem os clamores dos homens. Isto, só em parte é verdadeiro.
Sem dúvida, a Matemática possui problemas próprios, que não têm ligação imediata com os outros problemas da vida social. Mas não há dúvida também de que os seus fundamentos mergulham tanto como os de outro qualquer ramo da Ciência, na vida real; uns e outros entroncam na mesma madre.
Mesmo quanto aos seus problemas próprios, raramente acontece, se eles são de facto daqueles grandes problemas que põem em jogo a sua essência e o seu desenvolvimento, que eles não interessem também, e profundamente, a corrente geral das ideias.
(...)
-
(Bento de Jesus Caraça, Conceitos fundamentais da Matemática, Prefácio, Junho de 1941)

Sunday, May 16, 2010

Exercices

Il est parfaitement utopique d'espérer apprendre des Mathématiques, si élémentaires ou si supérieures soient-elles, sans résoudre des Exercices.
(...)
Nous ne saurions trop insister enfin sur le fait que résoudre un Exercice ne consiste pas seulement à se convaincre, à l'aide d'un «brouillon» fait à la hâte, du fait qu'on en a à peu près compris la solution; si cette méthode est admissible pour les Exercices de calcul numérique, il faut par contre s'efforcer de rédiger intégralement les Exercices plus théoriques, ou l'on doit construire de véritables démonstrations. De cette façon, et uniquement de cette façon, l'étudiant parviendra à acquérir un langage clair et correct, et à utiliser les termes techniques dans leur sens propre, ce qui, en Mathématiques, est le signe le plus certain de la compréhension d'un sujet.
-
(Roger Godement, Cours d'algèbre, Exercices)

Friday, May 14, 2010

Wednesday, May 12, 2010

Rodas dentadas



Eu tenho 8 rodas dentadas com os dentes virados para fora e que designo por A, B, C, D, E, F, G e H. Tenho também 3 rodas dentadas com os dentes virados para dentro e que designo por X, Y e Z. Ver figuras.
Nas figuras as rodas estão reproduzidas de forma parcial para que não se possa contar exactamente o número de dentes.
Sejam dA, dB, dC, dD, dE, dF, dG, dH, dX, dY e dZ, o número de dentes de cada roda, sendo que:

dA>dB>dC>dD>dE>dF>dG>dH
dX>dY >dZ

Quando qualquer das 8 rodas A, B,…,H rola sobre o interior de uma das rodas X, Y ou Z, pontos fixos das primeiras desenham figuras com várias “pétalas” (ver figuras). Isto está na origem de brinquedos que, infelizmente, é raro encontrar à venda.
Seja pA/X o número de pétalas desenhado por um ponto da roda A quando rola sobre a roda X, mantendo-se esta fixa. Temos depois pB/X, pC/X,…, pH/Z.
O leitor lembra-se da ciclóide? A ciclóide é a figura desenhada por qualquer ponto fixo de uma circunferência que rola, sem deslizar, sobre uma recta, situando-se a circunferência e a recta no mesmo plano.
A ciclóide é um caso particular das curvas desenhadas por pontos fixos da circunferência ou do seu interior quando ela roda sem deslizar sobre a recta. Se o ponto não for o centro da circunferência e se a recta for horizontal, a curva desenhada tem máximos e mínimos e é o gráfico de uma função periódica.
Pois no caso das nossas rodas dentadas, as flores com as suas pétalas são uma espécie de ciclóides em que a recta é substituída por uma circunferência. Os pontos mais afastados do centro da figura têm o nome de apocentros, e os mais próximos do centro têm o nome de pericentros. O número de apocentros, bem como o número de pericentros, é o número de pétalas.
Também se pode rolar uma das rodas A, B,…,H sobre outra das rodas A, B,…,H.
O símbolo A/X significa que a roda X se mantém fixa e que é a roda A que rola sobre X. Coisa idêntica se diz relativamente aos símbolos B/X, C/X,…, H/Z, B/A, etc.

Temos então os seguintes problemas e desafios:

a) C/X , H/X, H/Z e C/Z constituem um exemplo de flores que têm o mesmo número de pétalas. No entanto algo as distingue: um outro número inteiro. Qual é e o que representa?
b) Para uma flor qualquer, qual é a fórmula genérica que envolve o número de pétalas e os números de dentes das duas rodas envolvidas?
c) Quantos dentes têm as rodas A, B,…,H, X, Y e Z?
d) Quantas pétalas há em todos os casos que se pode considerar? (fazer uma tabela)
-
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Monday, May 10, 2010

Le rôle de Mélisande

17. A la suite d'une représentation de Pelléas et Mélisande, un journaliste hésite entre les deux rédactions suivantes :
A) Jamais le rôle de Mélisande n'a été si bien chanté.
B) Jamais si jeune cantatrice, aux si beaux cheveux, n'a si bien chanté Mélisande.
Lequel de ces compliments est le plus fort? (Expliciter non A et non B.)
-
(Roger Godement, Cours d'algèbre, Exercices)

Saturday, May 08, 2010

Un compte rendu d'un match de football et une note sur des examens

16. Utiliser la règle non(nonA)<=>A pour simplifier la phrase suivante (extraite d'un compte rendu de match de football):
«... il ne se trouvera aucun sportif pour nier que le contraire n'eût été immérité...».
Même question avec le texte suivant:
«Je vous envoie encore une note sur les examens. J'ai tenu à rappeler quelques principes fondamentaux. Je fais allusion à certames «décisions» ou certains comportements qui sont encore, heureusement, peu nombreux. Mais, même s'ils restent peu nombreux et s'ils devaient être confirmés légalement, il ne manquera pas de gens pour dénier toute valeur à la qualité du travail que la très grande majorité des enseignants de la Faculté s'efforce de mener à bien.»
-
(Roger Godement, Cours d'algèbre, Exercices)

Thursday, May 06, 2010

La bataille d'Alger / The battle of Algiers

15. On considere les deux assertions suivantes :
a): «En plein accord avec M. Robert Lacoste, ministre résidant en Algérie, nous confions la responsabilité de ramener la paix et la sécurité à Alger à la 10ème division parachutiste. Cette unité gagnera en trois mois la bataille d'Alger sans tirer sur les immeubles avec des mitrailleuses lourdes, et sans qu'un seul avion français arrose de balles la Casbah.» (Extrait de la déclaration faite par le General Salan à son procès).
b): «The result was that the «battle of Algiers» became, for the paratroopers who fought it, and for France itself, a pyrrhic victory: it is estimated that out of the Kasbah's total population of 8oooo between 30 and 40 per cent of its active male population was, at one stage or another of the «battle», arrested for questioning and questioning came to involve the use of torture as a basic instrument, as a time-saving device to obtain quick results.» (Edward Behr, correspondant de Time à Alger, dans The Algerian Problem, W. W. Norton. New York, 1961).
Ces assertions sont-elles logiquement incompatibles? (On ne demande pas de décider si elles sont vraies ou fausses).
-
(Roger Godement, Cours d'algèbre, Exercices)
-

Sunday, May 02, 2010

L'activité des mathématiciens en chair et en os

(...) les mathématiciens professionnels cherchent à s'engager dans les voies les plus naturelles possibles, celles dans lesquelles leur intuition géométrique ou analytique ou arithmétique — car il existe une intuition arithmétique — peut s'exercer.
L'activité des mathématiciens en chair et en os diffère de celle des machines sur un autre point encore: les premiers ne sont pas en mesure de se conformer strictement à la rigueur logique absolue dont feraient preuve les secondes si elles existaient. Dans la pratique, les textes mathématiques les mieux écrits comportent une multitude de «trous» en l'absence desquels la lecture de ces textes serait un exercice intolérable. Ces lacunes logiques sont sans importance, parce que chacun est parfaitement convaincu du fait qu'on pourrait les combler si on le désirait — en fait, il est même probable que le lecteur débutant ne les apercevra pas. On estime aujourd'hui qu'un texte mathématique est «parfaitement» correct lorsqu'il a acquis le degré de clarté et de rigueur qu'on a toujours trouvé dans les exposés d'Arithmétique élémentaire (et c'est pourquoi il est fort regrettable que cette branche des Mathématiques n'occupe pas plus de place dans l'enseignement secondaire français); l'immense majorité des théories mathématiques peuvent maintenant s'exposer dans ce style, et cette possibilité a pour corollaire le fait qu'on n'admet plus, aujourd'hui, le genre d'exposé décoratif qui permettait encore, il n'y a pas si longtemps, à certains mathématiciens, de briguer à la fois l'Académie des Sciences et l'Académie Française.
(...)
-
(Roger Godement, Cours d'algèbre)

Friday, April 30, 2010

Le langage réel des Mathématiques

On a calculé que, si l’on cherchait à écríre en langage formalisé un objet mathématique aussi simple (en apparence...) que le nombre 1, on trouverait un assemblage comportant plusieurs dizaines, de milliers de signes (les signes fondamentaux sont en très petit nombre, mais chacun d'eux peut naturellement être répété un grand nombre de fois dans un même assemblage). Le mathématicien qui essaierait de manipuler de pareils assemblages ressemblerait à l’alpiniste qui, pour choisir ses points d'appui sur une paroi rocheuse, examinerait celle-ci au microscope électronique.
On utilise donc, dans la pratique, une multitude d’abréviations (par exemple la lettre grecque π, le signe +, des mots du langage ordinaire, tels que «nombre», «point», «droite», «fonction», et ainsi de suite); celles-ci sont destinées à représenter par de nouveaux signes simples des assemblages compliqués de lettres et de signes fondamentaux, ou même des assemblages faisant intervenir en outre des signes abréviateurs déjà introduits. Quand il a introduit suffisamment d'abréviations d'assemblages de signes fondamentaux, puis d'abréviations d'assemblages d'abrétions, puis d'abréviations d'assemblages d'abréviations d'assemblages d'abréviations, et ainsi de suite, le mathématicien cesse de penser (*) à la définition complète et détaillée des objets qu'il a ainsi construits; il ne garde présent à l'esprit que la façon de passer d'un échelon de complication à l'échelon immédiatement précédent (ce qui constitue la définition, au sens usuel du terme, de l'abréviation considérée), et ne cherche pas à redescendre de proche en proche jusqu'au langage formalisé; à la limite, on en arrive souvent à raisonner sur les abréviations introduites comme si elles constituaient des signes primitifs au même titre que les signes fondamentaux du langage formalisé (c'est ainsi que Hilbert, dans son étude des fondements de la Géométrie, introduisait a priori trois notions primitives — celles de point, droite et plan — sans chercher aucunement à les définir, et en se bornant à en dresser le mode d'emploi).
(...)
(*) On devrait mênie dire: ne peut plus penser.
-
(Roger Godement, Cours d'algèbre)

Wednesday, April 28, 2010

Sur la chance des meilleurs ouvrages de Mathématiques être écrits par des Français

(...)
Enfin, et contrairement à toutes les traditions en matière d'ouvrages destinés aux débutants, on a cru devoir présenter au lecteur une Bibliographie formée de titres soigneusement choisis, et dont beaucoup sont dus à des mathématiciens de première grandeur. Il nous paraît utile que le lecteur se procure et utilise quelques-uns de ces livres, afin de prendre connaissance d'autres points de vue possibles, et de s'habituer à consulter des livres.
Ces ouvrages, pour la plupart étrangers, contribueront peut-être d'autre part à faire prendre conscience à beaucoup de jeunes gens, mystifiés dès l'âge de vingt ans par une propagande écrasante, du fait que même en négligeant les «peuplades inférieures» de nos grands parents, les Français ne forment qu'un îlot de cinquante millions d'hommes au milieu d'un océan de 700 millions de Blancs; or ceux-ci vont comme nous à l'école dês l'âge de six ans, et y restent même, dans certains pays, plus longtemps que nous. Il est facile d'en déduire que les meilleurs ouvrages de Mathématiques (par exemple) ont environ une chance sur quatorze d'être écrits par des gens «bien de chez nous», et c'est justement ce que l'expérience confirme en ce qui concerne l'Algèbre élémentaire. Nous nous en voudrions de ne pas le faire savoir alors que certains jeunes, qui ne sont pourtant pas, eux, responsables des quelques centaines de milliers de cadavres qui encombrent les consciences de leurs pères, se laissent gagner par le nationalisme, le racisme et la xénophobie.
-
(Roger Godement, Cours d'algèbre, Préface, Juillet 1962)

Monday, April 26, 2010

Le premier devoir des mathématiciens

La Cattura dell'ebreo
(...)
Au risque de provoquer, chez certains, les sentiments d'horreur et de consternation que Paolo Uccello a si merveilleusement représentés dans la Profanation de l'Hostie, il nous faut bien dire du reste, car la question se pose de plus en plus, notre désaccord avec les nombreuses personnalités qui, actuellement, demandent aux scientifiques en general, et aux mathématiciens en particulier, de former les milliers de techniciens dont nous aurions, parait-il, besoin de toute urgence pour survivre. Les choses étant ce qu'elles sont, il nous semble que, dans les «grandes» nations sur-développées scientifiquement et techniquement ou nous vivons, le premier devoir des mathématiciens, et de beaucoup d'autres, serait plutôt de fournir ce qu'on ne leur demande pas — à savoir des hommes capables de réfléchir par eux-mêmes, de dépister les arguments faux et les phrases ambiguës, et aux yeux desquels la diffusion de la vérité importerait infiniment plus que, par exemple, la Télévision planétaire en couleurs et en relief: des hommes libres, et non pas des robots pour technocrates. Il est tristement évident que la meilleure façon de former ces hommes qui nous manquent n'est pas de leur enseigner les sciences mathématiques et physiques, ces branches du savoir ou la bienséance consiste, en premier lieu, à faire semblant d'ignorer jusqu'à l'existence même de problèmes humains, et auxquelles nos sociétés hautement civilisées accordent, ce qui devrait paraître louche, la première place. Mais même en enseignant des Mathématiques, on peut du moins essayer de donner aux gens le goût de la liberté et de la critique, et les habituer à se voir traités en êtres humains doués de la faculté de comprendre.
(...)
-
(Roger Godement, Cours d'algèbre, Préface)

Sunday, April 25, 2010

Friday, April 23, 2010

Est-il inutile, ou même nuisible, d'essayer de faire preuve d'une trop grande rigueur?

(...)
Beaucoup de gens, et notamment la plupart de ceux qui se bornent à utiliser les Mathématiques, prétendent que lorsqu'on écrit pour les débutants il est inutile, ou même nuisible, d'essayer de faire preuve d'une trop grande rigueur, de tout démontrer, d'introduire des notions trop générales, d'utiliser une terminologie strictement définie et dépourvue de discours fleuris. S'ils avaíent raison, cela voudrait dire que, contrairement aux mathématiciens professionnels, et au bon sens, les débutants comprennent d'autant plus facilement un texte mathématique qu'il est plus mal rédigé. Les latinistes professionnels, c'est leur métier, comprennent les inscriptions tronquées qu'on extrait tous les jours du sous-sol de l'Italie, mais il n'est encore venu à l'idée d'aucun professeur de Latin de les utiliser pour enseigner cette langue aux débutants — on préfère avoir recours à des grammaires bien écrites... Il en est de même en Mathématiques, et lorsqu'il s'agit d'interpréter le sens d'une définition obscure, de compléter une démonstration insuffisante, ou de déceler les véritables raisons d'un théorème, on ne peut pas raisonnablement espérer que le débutant fasse preuve du même flair que le professionnel.
(...)
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(Roger Godement, Cours d'algèbre, Préface)

Tuesday, April 20, 2010

Friday, April 16, 2010

Chaplin: Monsieur Verdoux

Chaplin and Einstein

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Monsieur Verdoux final scenes:
Monsieur Verdoux
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The Prosecutor: Never, never in the history of jurisprudence have such terrifying deeds been brought to light. Gentlemen of the jury, you have before you a cruel and cynical monster. Look at him!
[all heads turn to face Verdoux, who turns around himself to look behind]
The Prosecutor: Observe him, gentlemen. This man, who has brains, if he had decent instincts, could have made an honest living. And yet, he preferred to rob and murder unsuspecting women. In fact, he made a business of it. I do not ask for vengeance, but for the protection of society. For this mass killer, I demand the extreme penalty: that he be put to death on the guillotine. The State rests its case.
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Judge: Monsieur Verdoux, you have been found guilty. Have you anything to say before sentence is passed upon you?
Henri Verdoux: Oui, monsieur, I have. However remiss the prosecutor has been in complimenting me, he at least admits that I have brains. Thank you, Monsieur, I have. And for thirty-five years I used them honestly. After that, nobody wanted them. So I was forced to go into business for myself. As for being a mass killer, does not the world encourage it? Is it not building weapons of destruction for the sole purpose of mass killing? Has it not blown unsuspecting women and little children to pieces? And done it very scientifically? As a mass killer, I am an amateur by comparison. However, I do not wish to lose my temper, because very shortly, I shall lose my head. Nevertheless, upon leaving this spark of earthly existence, I have this to say: I shall see you all... very soon... very soon.
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Henri Verdoux: Wars, conflict - it's all business. One murder makes a villain; millions, a hero. Numbers sanctify, my good fellow!
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[http://www.imdb.com/title/tt0039631/quotes]

Charles Chaplin (16 April 1889 – 25 December 1977)


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The Great Dictator final speech
A Jewish Barber:
I'm sorry, but I don't want to be an emperor. That's not my business. I don't want to rule or conquer anyone. I should like to help everyone if possible; Jew, Gentile, black man, white. We all want to help one another. Human beings are like that. We want to live by each other's happiness, not by each other's misery. We don't want to hate and despise one another. In this world there is room for everyone, and the good earth is rich and can provide for everyone. The way of life can be free and beautiful, but we have lost the way. Greed has poisoned men's souls, has barricaded the world with hate, has goose-stepped us into misery and bloodshed. We have developed speed, but we have shut ourselves in. Machinery that gives abundance has left us in want. Our knowledge has made us cynical; our cleverness, hard and unkind. We think too much and feel too little. More than machinery, we need humanity. More than cleverness, we need kindness and gentleness. Without these qualities, life will be violent and all will be lost. The airplane and the radio have brought us closer together. The very nature of these inventions cries out for the goodness in men; cries out for universal brotherhood; for the unity of us all. Even now my voice is reaching millions throughout the world, millions of despairing men, women, and little children, victims of a system that makes men torture and imprison innocent people. To those who can hear me, I say, do not despair. The misery that is now upon us is but the passing of greed, the bitterness of men who fear the way of human progress. The hate of men will pass, and dictators die, and the power they took from the people will return to the people. And so long as men die, liberty will never perish. Soldiers! Don't give yourselves to brutes, men who despise you, enslave you; who regiment your lives, tell you what to do, what to think and what to feel! Who drill you, diet you, treat you like cattle, use you as cannon fodder. Don't give yourselves to these unnatural men - machine men with machine minds and machine hearts! You are not machines, you are not cattle, you are men! You have the love of humanity in your hearts! You don't hate! Only the unloved hate; the unloved and the unnatural. Soldiers! Don't fight for slavery! Fight for liberty! In the seventeenth chapter of St. Luke, it is written that the kingdom of God is within man, not one man nor a group of men, but in all men! In you! You, the people, have the power, the power to create machines, the power to create happiness! You, the people, have the power to make this life free and beautiful, to make this life a wonderful adventure. Then in the name of democracy, let us use that power. Let us all unite. Let us fight for a new world, a decent world that will give men a chance to work, that will give youth a future and old age a security. By the promise of these things, brutes have risen to power. But they lie! They do not fulfill that promise. They never will! Dictators free themselves but they enslave the people. Now let us fight to fulfill that promise. Let us fight to free the world! To do away with national barriers! To do away with greed, with hate and intolerance! Let us fight for a world of reason, a world where science and progress will lead to all men's happiness. Soldiers, in the name of democracy, let us all unite! Hannah, can you hear me? Wherever you are, look up Hannah! The clouds are lifting! The sun is breaking through! We are coming out of the darkness into the light! We are coming into a new world; a kindlier world, where men will rise above their hate, their greed, and brutality. Look up, Hannah! The soul of man has been given wings and at last he is beginning to fly. He is flying into the rainbow! Into the light of hope, into the future! The glorious future, that belongs to you, to me and to all of us. Look up, Hannah. Look up!

Sunday, April 11, 2010

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades


Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E enfim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.

Tuesday, April 06, 2010

Nature by Numbers


Nature by Numbers
«A movie inspired on numbers, geometry and nature, by Cristóbal Vila. Go to http://www.etereaestudios.com/ for more info: theory behind, stills, screenshots, tutorials...»

Sunday, April 04, 2010

Martin Luther King (January 15, 1929 – April 4, 1968)

(January 15, 1929 – April 4, 1968)
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"Beyond Vietnam" speech text and audio
Delivered by Martin Luther King, Jr. 4 April 1967, at a meeting of Clergy and Laity Concerned at Riverside Church in New York City
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Video:
***
A PBS program broadcasted last 31 March:
or
Part 1 - Part 2 - Part 3 - Part 4 - Part 5 - Part 6
«The second episode of Tavis Smiley Reports examines Martin Luther King, Jr.'s stand against the Vietnam War and the influence of his legacy today. Tavis speaks with scholars and friends of King, including Cornel West, Vincent Harding and Susannah Heschel.»

Friday, April 02, 2010

La saeta

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¿Quien me presta una escalera,
para subir al madero
para quitarle los clavos
a Jesús el Nazareno?
Saeta popular

¡Oh la saeta, el cantar
al Cristo de los gitanos,
siempre con sangre en las manos
siempre por desenclavar!
¡Cantar del pueblo andaluz
que todas las primaveras
anda pidiendo escaleras
para subir a la cruz!
¡Cantar de la tierra mía,
que echa flores
al Jesús de la agonía,
y es la fe de mis mayores!
¡Oh, no eres tú mi cantar!
¡No puedo cantar, ni quiero,
a ese Jesús del madero,
sino al que anduvo en el mar!

La saeta - La saeta - La saeta (Joan Manuel Serrat)

Monday, March 29, 2010

D'avance assassinés...

Samuel Jessurun de Mesquita and his wife were killed in Auschwitz. His son Jaap perished in the concentration camp at Theresienstadt.
The french poet Robert Desnos also died, very ill, in the concentration camp at Theresienstadt shortly after its liberation. First, he was arrested by the Gestapo and sent to a concentration camp located in Compiègne, France.
Robert Desnos: «Robert Desnos est un poète français, né le 4 juillet 1900 à Paris et mort du typhus le 8 juin 1945 au Camp de concentration de Theresienstadt, en Tchécoslovaquie à peine libérée du joug de l'Allemagne nazie.»

Robert le diable

Tu portais dans ta voix comme un chant de Nerval
Quand tu parlais du sang jeune homme singulier
Scandant la cruauté de tes vers réguliers
Le rire des bouchers t'escortait dans les Halles
Tu avais en ces jours ces accents de gageure
Que j'entends retentir à travers les années
Poète de vingt ans d'avance assassiné
Et que vengeaient déjà le blasphème et l'injure

Je pense à toi Desnos qui partis de Compiègne
Comme un soir en dormant tu nous en fis récit
Accomplir jusqu'au bout ta propre prophétie
Là-bas où le destin de notre siècle saigne

Debout sous un porche avec un cornet de frites
Te voilà par mauvais temps près de Saint-Merry
Dévisageant le monde avec effronterie
De ton regard pareil à celui d'Amphitrite
Enorme et palpitant d'une pâle buée
Et le sol à ton pied comme au sein nu l'écume
Se couvre de mégots de crachats de légumes
Dans les pas de la pluie et des prostituées

Je pense à toi Desnos qui partis de Compiègne
Comme un soir en dormant tu nous en fis récit
Accomplir jusqu'au bout ta propre prophétie
Là-bas où le destin de notre siècle saigne

Et c'est encore toi sans fin qui te promènes
Berger des longs désirs et des songes brisés
Sous les arbres obscurs dans les Champs-Elysées
Jusqu'à l'épuisement de la nuit ton domaine
O la Gare de l'Est et le premier croissant
Le café noir qu'on prend près du percolateur
Les journaux frais les boulevards pleins de senteur
Les bouches du métro qui captent les passants

Je pense à toi Desnos qui partis de Compiègne
Comme un soir en dormant tu nous en fis récit
Accomplir jusqu'au bout ta propre prophétie
Là-bas où le destin de notre siècle saigne

La ville un peu partout garde de ton pasaje
Une ombre de couleur à ses frontons salis
Et quand le jour se lève au Sacré-Cœur pâli
Quand sur le Panthéon comme un équarissage
Le crépuscule met ses lambeaux écorchés
Quand le vent hurle aux loups dessous le Pont-au-Change
Quand le soleil au Bois roule avec les oranges
Quand la lune s'assied de clocher en clocher

Je pense à toi Desnos qui partis de Compiègne
Comme un soir en dormant tu nous en fis récit
Accomplir jusqu'au bout ta propre prophétie
Là-bas où le destin de notre siècle saigne

(Louis Aragon)

Saturday, March 27, 2010

Samuel Jessurun de Mesquita (16 June 1868, Amsterdam - 11 February 1944 (?), Auschwitz) and M. C. Escher

«These days, Jessurun de Mesquita (1868-1944) is known principally for his association with one of his pupils, M.C. Escher. He is also well-known in the Netherlands for his crisp woodcuts of animals in Amsterdam’s Artis zoo. But De Mesquita’s surviving oeuvre is far more varied and innovative than is generally assumed. This first major retrospective in twenty years illustrates the point with drawings, water colours, woodcuts, etchings, paintings and examples of the applied arts.
Samuel Jessurun de Mesquita grew up in the closed world of Amsterdam’s Portuguese(*) Jewish community. He trained at the city’s school of applied arts and state teachers’ training college.»

«With Nazi Germany’s invasion of the Netherlands in May, 1940, de Mesquita, already in poor health, was forced to lead a secluded life, limiting his work largely to sketches. In the winter of 1944, on either January 31 or February 1, the occupying German forces entered the home of the de Mesquita family in Watergraafsmeer, now part of Amsterdam, and apprehended him, his wife Elisabeth, and their only son Jaap. Transported to Auschwitz, Samuel Jessurun and Elisabeth were sent to the gas chambers within days of their arrival on February 11; Jaap perished in the concentration camp at Theresienstadt on March 20. Escher and some of Jaap’s friends were successful in rescuing some of the works that had remained in the de Mesquita home.» Samuel Jessurun de Mesquita (Wikipedia)

«Still trying to pursue a career in architecture, M.C. Escher next moved to Haarlem and began studies as the School for Architecture and Decorative Arts. After on a week in the city, he met the artist Jessurun de Mesquita. After seeing Escher's drawings, Mesquita and the school's director advised him to continue with them. He began full-time study of "the graphic and decorative arts" in the fall of 1919. Also at this time, he acquired a white cat as a present from his land-lady. (...) The Nazi persecution of the Jews touched Escher in a very personal way. His old teacher, Samuel de Mesquita, a Jew, was taken away by the Nazis in January of 1944, and was killed. Escher helped to transfer Mesquita's works at the Stedelijk Museum in Amsterdam. He kept for himself a sketch that bore the imprint of a German boot, and kept it with his drawing supplies for the rest of his life. In 1946, he organized a memorial showing for Mesquita at the Stedelijk. Immediately after the war ended, Escher participated in a show of works by artists who had refused to collaborate with the Nazi regime. Afterwards, he earned several new commissions, including one to make 400 copies of one of his prints for distribution to schools.»

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Listen Escher about the influence that Mesquita had in his change from architecture to graphic art: Interview part 2 (listen also: Interview part 1 Interview part 3)

Sunday, March 21, 2010

Dia Mundial da Poesia / World Poetry Day


Tus ojos me recuerdan
las noches de verano,
negras noches sin luna,
orilla al mar salado,
y el chispear de estrellas
del cielo negro y bajo.
Tus ojos me recuerdan
las noches de verano.
Y tu morena carne,
los trigos requemados
y el suspirar de fuego
de los maduros campos.
(…)
De tu morena gracia,
de tu soñar gitano,
de tu mirar de sombra
quiero llenar mi vaso.
Me embriagaré una noche
de cielo negro y bajo,
para cantar contigo,
orilla al mar salado,
una canción que deje
cenizas en los labios...
De tu mirar de sombra
quiero llenar mi vaso.
(…)