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Thursday, November 08, 2012

NÃO (num poema de Miguel Torga)


NÃO PASSARÃO

Não desesperes, Mãe!
O último triunfo é interdito
Aos heróis que o não são.
Lembra-te do teu grito:
Não passarão!

Não passarão!
Só mesmo se parasse o coração
Que te bate no peito.
Só mesmo se pudesse haver sentido
Entre o sangue vertido
E o sonho desfeito.

Só mesmo se a raiz bebesse em lodo
De traição e de crime.
Só mesmo se não fosse o mundo todo
Que na tua tragédia se redime.

Não passarão!
Arde a seara, mas dum simples grão
Nasce o trigal de novo.
Morrem filhos e filhas da nação,
Não morre um povo!

Não passarão!
Seja qual for a fúria da agressão,
As forças que te querem jugular
Não poderão passar
Sobre a dor infinita desse não
Que a terra inteira ouviu
E repetiu:
Não passarão!



Imagens da Biblioteca Nacional
-
Ver também:  

Friday, July 27, 2012

O café «Vermelhinho», no Rio de Janeiro, nos anos 40 (4)

Morte e vida Severina: «(...) a montagem reproduz, na cenografia, obras do seu pai [], especialmente as da série “Retirantes”, realizada entre 1940/60 e que dimensiona a miséria da seca e da fome no Nordeste»



Iberê Camargo:
In Gaveta dos guardados
Bar Vermelhinho, ponto de encontro dos artistas e intelectuais do Rio de Janeiro na década de 40.
[Legenda de uma imagem em: Iberê Camargo: catálogo raisonné. Gravuras
Outros:
Joel Silveira: A camisa do senador
«Dois bares, entretanto, reuniam artistas de todos os matizes, intelectuais, literatos, sempre no fim da tarde — momento hoje apelidado de happy hour, o Amarelinho e o Vermelhinho. Café e Bar Araújo Porto Alegre, o Vermelhinho ficava em frente à ABI, junto do MEC, do Museu e Escola de...»
Paulo de Faria Pinho: Boêmios & bebidas
Solano Trindade: O POETA DO POVO
Ainda:

Saturday, July 07, 2012

O café «Vermelhinho», no Rio de Janeiro, nos anos 40 (1)

Carlos Drummond de Andrade, por Portinari

Ler Drummond e chegar ao «Vermelhinho»

Sabia que António Aniceto Monteiro frequentara o café «Vermelhinho». Procurei o «Vermelhinho» em Lisboa e até no Porto. Em vão. Até que um dia, muito tempo passado, lendo a crónica «POETAS EM MAIO», de Carlos Drummond de Andrade, deparei-me com este trecho:

«É possível que o nosso grande poeta [Vinícius] se tenha enganado, e que não devamos dividir uma cidade entre centro e subúrbio, mesmo sem propósito de discriminação hierárquica e sentimental. As distinções sociais e econômicas visíveis em todo agrupamento urbano não podem ser expressas pela fórmula esquemática de centro e subúrbio, de Copacabana e Madureira, de tal modo se justapõem às contradições mais gritantes em cada bairro ou em cada rua da cidade. De qualquer modo, os novos do Rio não compareceram em quantidade apreciável, e os da província foram pouco a pouco desaparecendo, ignoro por quê. A experiência ficou limitada a um suplemento. Os outros mantêm o critério dos nomes feitos, bons ou ruins, mas feitos. Do lado de fora, circulando entre o Amarelinho e o Vermelhinho, ou entre cafés menos célebres, e espalhando-se mesmo até Niterói, os rapazes de vinte anos sentem falta de jornal ou revista, falta física, como de amor, e quem já passou pela idade sabe que, nessa época, o nome impresso tem macieza de pele acariciada ou gosto úmido de beijo na boca. Não basta escrever, é necessário publicar; de preferência num quadro. Acredito que a exposição de poesias, além do seu caráter de afirmação ou sinal, derivou dessa carência.»

Este «Vermelhinho» não era em Lisboa, nem no Porto, nem sequer em Portugal. Era no Brasil, no Rio de Janeiro.
Nos anos 40, além de Drummond, muitos intelectuais, como , , , Vinícius, frequentavam o «Vermelhinho», assim conhecido pela côr das suas cadeiras de palha.

Para ir do Amarelinho para o Vermelhinho, atravessava-se-se a Praça Floriano (a Cinelândia). O «Vermelhinho» ficava na Rua Araújo Porto Alegre, em frente à ABI (Associação Brasileira de Imprensa), que, por sua vez, fica no nº 71 (R. Araújo Porto Alegre, 71).

Monday, November 14, 2011

"JOSÉ" (Carlos Drummond de Andrade)

Carlos Drummond de Andrade, por Portinari

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José

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?


E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?


Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!


Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?


(Copiado de Memória Viva / Memória Viva)

Ouça pela voz de Drummond:
José
José


CARTA DE JOSÉ
"Prezado cronista:
Permita que me apresente. Sou José, sem mais nada. Não tendo família, não tenho sobrenome. Aliás não tenho nada, salvo a particularidade de estar sempre ligado a uma pergunta que o amigo há de ter ouvido muitas vezes, e que também outras muitas terá feito ao próximo ou a si mesmo. Pergunta curiosa: ninguém pensa em respondê-la, ou porque não sabe ou porque não há mesmo resposta válida para ela. Uns chegam a supor que se trata de pergunta não interessada em ser respondida. Para outros, malgrado a característica formal, ela já é em si uma resposta. Que resposta? Uma pergunta. Morou? Não faz mal. Ela continua a ser feita.
(...)
O autor, segundo me consta, é conhecido, senão íntimo do senhor. Pois então, leia de novo o poema que se refere a este seu criado, e diga se estou certo em responder eu mesmo — afinal — à pergunta que muita gente se faz: E agora, José? Agora, continuo. Atenciosamente, José."
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Correio da Manhã, 14/06/67
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Ver neste blogue:

Monday, October 10, 2011

"NO MEIO DO CAMINHO" (Carlos Drummond de Andrade)

(...)
O sr. Drummond de Andrade passa por ser o autor de um poema (?) ou que melhor nome tenha, a que deu o título "No meio do caminho". Essa produção corre mundo e é considerada ora obra de gênio ora monumento de estupidez. Na realidade, não é nenhuma dessas coisas, nem pertence ao estro do sr. Drummond. Com efeito, quem se der ao trabalho de examinar-lhe o texto verificará que se trata tão-somente da repetição, oito vezes seguidas, dos substantivos "meio", "caminho" e "pedra", ligados por preposições, artigos e um verbo. Não há nisto poema algum, bom ou mau. Há apenas alguns vocábulos, que podem ser encontrados facilmente no Pequeno Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa, revisto pelo sr. Aurélio Buarque de Holanda.
Esse pequeno fato literário fez despertar em alguns julgadores a suspeita de que se trata de um mistificador. Tem-se por vezes a impressão de que o sr. Drummond se diverte com o escândalo produzido por seus escritos, escândalo de que emergem as seguintes opiniões a seu respeito: "É um burro." "É um louco." "É superior a Castro Alves e igual a Baudelaire."
(...)
Leitura, junho de 1943
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(AUTO-RETRATO, Carlos Drummond de Andrade, Auto-retrato e outras crônicas)


No meio do caminho

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

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NO MEIO DO CAMINHO na voz de Carlos Drummond de Andrade
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Ver um pouco da estória deste poema e traduções:
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Neste blogue:

Monday, September 19, 2011

O menino e o poeta / The boy and the poet [uma curta-metragem de Luiz Duarte]

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Carlos Drummond de Andrade (in Copacabana)
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«O MENINO E O POETA é um filme de curta-metragem do dramaturgo e diretor Luiz Duarte. O filme, com 16 minutos de duração, mostra o início da amizade de um menino de rua, com o poeta Carlos Drummond de Andrade, representado por sua escultura (estátua) que existe na orla da praia de Copacabana, e que hoje se transformou em ponto turístico do bairro. No filme a escultura ganha vida para o menino, e passam a conversar sobre diversos assuntos, onde a vida, a morte, e a própria poesia são temas centrais. Para o autor e diretor do filme, O menino e o poeta, é um exercício de poesia audiovisual e uma homenagem ao poeta Carlos Drummond de Andrade. FATO INÉDITO: Independentemente do conteúdo poético e cinematográfico, a grande notícia é que com essa produção Luiz Duarte faz uma extraordinária inovação e contribuição para a dramaturgia no cinema. Pela primeira vez na história audiovisual, a voz de uma personagem ficcional (falas que o texto exigia) foi inteiramente recriada digitalmente a partir de amostras da voz da verdadeira personagem (voz verdadeira de Carlos Drummond de Andrade). Foi preciso quase um ano de trabalho, para que o diretor pudesse desenvolver a técnica e fazer com que o próprio poeta Drummond, "falasse" as suas falas escritas no roteiro. A personagem do menino é interpretada por Wallace Coutinho de Souza. Mais informações em www.luizduarte.com »
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Monday, September 12, 2011

A força poética do conhecimen​to científico​ [numa crónica de Carlos Drummond de Andrade]

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«A descober­ta é a própria poesia»
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«ah, que sei apenas escrever a palavra estrela, e jamais descobrirei uma...»
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Carlos Drummond de Andrade, por Portinari
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O COMPANHEIRO OCULTO DE AITKEN-14

Cada vez sinto mais a força poética do conhecimento científico. Poeta, para mim, neste momento, é Ronaldo Ro­gério de Freitas Mourão, astrônomo-chefe da Seção de Equatoriais do Observatório Nacional. Seus livros de ver­sos não contêm versos, embora obedeçam à métrica mais exigente: a micrométrica. Usa o menor número possível de palavras; exprime-se por algarismos, com rigor matemático. Entretanto, Rogério vê o invisível, o que me parece ser o objeto principal da poesia, e resultado que raros poetas conseguem obter em raros instantes de felicidade verbal.
Ver o invisível? Isso mesmo. Armado de poderosas len­tes de observatório, não se satisfaz com o que elas lhe reve­lam; vai além, e, a poder de cálculos, identifica, suspensos no espaço, corpos alheios à vista humana. Ainda agora, des­cobriu o companheiro oculto de Aitken-14, estrela dupla.
As estrelas duplas são o forte desse moço pesquisador celeste que já editou quatro séries de dados sobre pares de estrelas, fruto de observação própria. O catálogo do Lick Observatory, em 1964, informa sobre a existência conheci­da, até 1960, de 64.247 estrelas duplas. Nesse universo fan­tástico, Ronaldo se move com a perícia (e a intuição poética) do caçador submarino que fisga espécies novas para oferecê-las ao conhecimento humano.
Estrelas duplas, ou binárias, são as que se apresentam com características comuns de posição e movimento. O padre O'Grady, em seu dicionário do céu, salva minha igno­rância, anotando que a origem desses sistemas estelares ainda é objeto de discussão; admite-se geralmente que as duplas resultam da divisão de estrelas simples, do mesmo modo que, ao se dividirem as duplas, se criam as triplas, e assim por dian­te. Seja como for, o certo é que a imagem desses astros con­jugados em órbita é de extraordinária eficácia lírica. A relação amorosa fatalmente se insinua no conhecimento cien­tífico, ou este é que o sugere. Estrelas que não querem viver desgarradas, que se prendem por uma necessidade maior, de­nunciada pelo Dante: l'amor che move il sole e l'altre stelle. O verso medieval não se gastou, depois de tão repetido pela demagogia poética: a ciência de nossos dias o comprova.
Aitken-14 não se satisfez com a existência geminada; guar­da consigo o segredo de outra companhia, de que Rogério Mourão foi descobridor à custa de muita e ordenada pesqui­sa, ele que retificou as medidas internacionais da Dunlop-203 e devassa o céu noturno, sem Lua, por meio de uma "câmara todo-céu", de sua concepção. Que companhia é esta, invisível mas pulsante na página cheia de números? A objetiva mais poderosa ainda não logrou captá-la. Não há imagem brilhante, disco estelar, anéis de difração. Tudo está entre Rogério e a fo­lha de cálculos enigmáticos para nós leigos, mas isto se move, isto vibra, e amanhã, daqui a não sei quantos anos, terá co­nhecida sua natureza, sua composição, seu mistério; será tal­vez pisado por pés de homem. Segundo o Informe JB, que dá a notícia, Rogério sabe que tão cedo sua descoberta não será cantada em prosa e verso. Nem precisa de canto. A descober­ta é a própria poesia. Forma diversa da usada habitualmente para manifestar a criação poética, e mais direta: a criação do próprio fato de poesia, abstração tornada realidade. Não, Ro­naldo Rogério de Freitas Mourão não necessita de prosa ou verso, ou versiprosa, para que visualizemos sua estrela ocul­ta: ela está luzindo com apenas ser enunciada, e daqui lhe con­fesso minha inveja: ah, que sei apenas escrever a palavra estrela, e jamais descobrirei uma...
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Jornal do Brasil, 26/05/70
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Ver neste blogue:

Wednesday, September 07, 2011

NÃO [de uma crónica de Carlos Drummond de Andrade]


Um jornal de Belo Horizonte andou perguntando a seus leitores qual a melhor frase de autor mineiro.
(...)
E, depois de muito hesitar, admito que acabaria optando por uma solução bem simples. A melhor frase de escritor mineiro não é de escritor nem é uma frase. Está nos Autos de Devassa da Inconfidência Mineira, volume IV, página 35, e seu autor é Tiradentes:
"E insistindo nisto, por mais instâncias, que se lhe fizeram... não teve que lhe responder, mais que uma simples, e fria negação."
Este não, simples e frio, diante do opressor, parece-me uma boa frase. Porque boa frase, para mineiros, é muitas vezes o silêncio.
Leitura, setembro 1949
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(ESPÍRITO E SENSIBILIDADE DOS MINEIROS, Carlos Drummond de Andrade, Auto-retrato e outras crônicas)
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Sunday, March 20, 2011

Wallpaper groups. Portuguese pavements: Copacabana, Calçadão - p2mg


No mar estava escrita uma cidade...
Carlos Drummond de Andrade (in Copacabana)





Já não há mãos dadas no mundo.
Elas agora viajarão sozinhas.
Sem o fogo dos velhos contatos,
que ardia por dentro e dava coragem.

Desfeito o abraço que me permitia,
homem da roça, percorrer a estepe,
sentir o negro, dormir a teu lado,
irmão chinês, mexicano ou báltico.

Já não olharei sobre o oceano
para decifrar no céu noturno
uma estrela vermelha, pura e trágica,
e seus raios de glória e esperança.

Já não distinguirei, na voz do vento
(Trabalhadores, uni-vos...) a mensagem
que ensinava a esperar, a combater,
a calar, desprezar e ter amor.

Há mais de vinte anos caminhávamos
sem nos vermos, de longe, disfarçados,
mas a um grito, no escuro, respondia
outro grito, outro homem, outra certeza.

Muitas vezes julgamos ver a aurora
e sua rosa de fogo à nossa frente.
Era apenas, na noite, uma fogueira.
Voltava a noite, mais noite, mais completa.

E que dificuldade de falar!
Nem palavras nem códigos: apenas
montanhas e montanhas e montanhas
oceanos e oceanos e oceanos.

Mas um livro, por baixo do colchão
era súbito um beijo, uma carícia,
uma paz sobre o corpo se alastrando,
e teu retrato, amigo, consolava.

Pois às vezes nem isso. Nada tínhamos
a não ser estas chagas pelas pernas,
este frio, esta ilha, este presídio,
este insulto, este cuspo, esta confiança.

No mar estava escrita uma cidade,
no campo ela crescia, na lagoa,
no pátio negro, em tudo onde pisasse
alguém, se desenhava tua imagem,

teu brilho, tuas pontas, teu império
e teu sangue e teu bafo e tua pálpebra,
estrela: cada um te possuía.
Era inútil queimar-te, cintilavas.

Hoje quedamos sós. Em toda parte,
somos muitos e sós. Eu, como os outros.
Já não sei vossos nomes nem vos olho
na boca, onde a palavra se calou.

Voltamos a viver na solidão,
temos de agir na linha do gasômetro,
do bar, da nossa rua: prisioneiros
de uma cidade estreita e sem ventanas.

Mas viveremos. A dor foi esquecida
nos combates de rua, entre destroços.
Toda melancolia dissipou-se
em sol, em sangue, em vozes de protesto.

Já não cultivamos amargura
nem sabemos sofrer. Já dominamos
essa matéria escura, já nos vemos
em plena força de homens libertados.

Pouco importa os dedos se desliguem
e não se escrevam cartas nem se façam
sinais da praia ao rubro couraçado.
Ele chegará, ele viaja o mundo.

E ganhará enfim todos os portos,
avião sem bombas entre Natal e China,
petróleo, flores, crianças estudando,
beijo de moça, trigo e sol nascendo.

Ele caminhará nas avenidas,
entrará nas casas, abolirá os mortos.
Ele viaja sempre, esse navio,
Essa rosa, esse canto, essa palavra.


(Carlos Drummond de Andrade, Obra completa)

Nota: Esta poesia pertence ao livro A Rosa do Povo escrito entre 1943 e 1945.